quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Je Suis Charlie.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Uma injustiça Queirosiana.


“Em Portugal quem emigra são os mais enérgicos e os mais rijamente decididos; e um país de fracos e de indolentes padece um prejuízo incalculável, perdendo as raras vontades firmes e os poucos braços viris.”


Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre.


Gosto muito de Eça de Queiroz. Agrada-me o seu “dandismo”, a visão desempoeirada da sociedade portuguesa e descrição das mais variadas virtudes da nossa portugalidade. Mas não gosto nada da frase acima. Talvez (só talvez) no século XIX esta frase fosse verdadeira, mas actualmente não o é. Em Portugal emigram os mais rijos, os menos rijos, os mais energéticos e os menos energéticos. Emigram os licenciados e os que só têm o quarto ano de escolaridade, emigram os doutorados e os analfabetos, emigra quem pode para escapar à precaridade e em muitos casos à miséria. Esta ideia de que ficam cá os que podem, os que se “orientam”, também é de uma enorme injustiça. Ficam por cá os que querem, os que ainda arriscam, mas também aqueles que desejam ficar e viver neste país que é o seu. E desejar ficar e trabalhar cá não deveria ser a excepção, mas a regra.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Não quero mais missas!


Não gosto nada de ir à missa. Cada vez que tenho a infeliz ideia de fazer mais um esforço, ou porque é um casamento ou um baptizado, arrependo-me sempre de ter feito este esforço. Não ouço na missa nem a palavra de Deus nem a palavra de Jesus. Só ouço um sermão sempre impregnado de moralismos, frases feitas e ideias já muito batidas. A mais batida de todas é aquela de que devemos " trabalhar " o casamento, não desistir do casamento. Aparentemente inócua, eu pergunto-me se quem professa o sermão sabe a história de cada casal e as suas razões para se separarem. Ou qual é o drama de uma separação se isso os faz mais felizes, mais completos. Jesus não disse grandes coisas sobre o casamento e não foi porque não teve tempo. Foi porque outros valores se levantaram como o respeito pelos direitos humanos, a salvação dos oprimidos ou a convicção de que somos todos iguais. Jesus não foi ao templo dar uma palestra sobre trabalhar o casamento, foi sim acusar os donos da verdade de que a sua verdade não era assim tão verdadeira. Eu questiono-me se quem dá a palestra na Igreja sobre “trabalhar” o casamento pensa nas 40 mulheres assassinadas este ano. Será que não trabalharam o casamento? Será que não foram o espelho do outro? Será que não "ouviram", "sentiram" ou "apoiaram" o outro o suficiente? Estas ideias aparentemente inócuas fazem muito mal a uma sociedade que se quer livre, feliz, preenchida. E se cada uma daquelas 40 mulheres não se tivesse sentido compelida a aceitar aquelas relações um dia mais, se não se sentissem culpadas por não estarem à altura, se a sociedade e a Igreja lhes tivesse dito VAI, sai, estamos aqui para te acolher, talvez algumas delas ainda estivessem vivas.

Com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.

Jesus Cristo

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Maria Capaz.

Finalmente um site de mulheres e sobre mulheres. Sem tretas de maridos, filhos e outras coisas. Um site feminista dedicado à causa das mulheres que ainda são as mais sacrificadas em casa, as que mais sofrem com o desemprego e com trabalhos iguais aos dos homens mas com salários diferentes.Não é aconselhável a mulheres tretas que vendem os seus casamentos como perfeitos, os filhos como maravilhosos e os empregos como "coisas menos importantes" entre maridos e filhos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Tesouros de Espanha: uma exposição a não perder.



Domingo passado fui ver a exposição Tesouros dos Palácio Reais de Espanha, na Gulbenkian. Antes que digam que não têm dinheiro para isso, no domingo não se paga nada o dia todo. Eu fui a um domingo. A exposição é lindíssima, bem organizada, feita para toda a gente. Percebe-se perfeitamente as dinastias espanholas, os casamentos aqui com os "tugas" e a influência que tudo isto teve na arte espanhola. São quadros magníficos, retábulos cheios de pedraria e uma moderação que é raro ver em exposições. Geralmente expõe-se tudo para mostrar tudo .Nesta exposição expôs-se o que importa para percebermos o que é importante.Não vos vou revelar mais porque têm mesmo de ir. 
Saí de lá com a sensação de que o que eu sou, esta mulher que aqui habita, só pertence a este século e a mais nenhum. Porque não nasci princesa nem duquesa, nem lavadeira nem criada.  Sou a típica classe média, a mesma que este governo quer acabar. Que gosta de ver exposições e tem direito a elas, que não precisa de ser princesa para sonhar em ter estudos, nem está condenada a uma vida de servidão ao serviços de senhores feudais. E esta liberdade é um verdadeiro tesouro.

Para mais informações consulte:  http://museu.gulbenkian.pt/museu/pt/Exposicoes/Exposicao?a=503


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sem julgamentos.

A minha vida não é perfeita. A minha vida está cheia de problemas, de coisas dificeis de resolver. E nestas alturas percebo sempre, sempre quem está do meu lado: a minha família. São eles que me levantam a auto-estima, que me levam a acreditar em mim, a perceber que eu nunca estarei sozinha. E isso vale tanto....

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sócrates e os direitos constitucionais

Não, não acho que a democracia esteja em causa com a prisão de Sócrates.Porque a justiça tem de ser independente da política e a política não deve entrar em caminhos da justiça. Chama-se a isto direitos constitucionais.Agora, alguém pode explicar isto ao Correio da Manhã?