quinta-feira, 17 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
Mães, amigas e cúmplices: uma desgraça iminente!
Tenho-me vindo a aperceber, de dia para dia, como as relações
entre mães e filhas são disfuncionais. Cada relação entre mãe e filha é uma
relação única e independente, mas existem mães que fazem das filhas as suas
confidentes e filhas que fazem das mães a sua melhor amiga. Talvez eu esteja a
ser demasiado rígida nisto, mas as mães que se intrometem na vida das filhas são
pequenas ditadoras que não conseguem largar o poder quando a cria quer voar.
Mães que se metem no casamento, na arrumação da casa, que ditam regras sobre
onde se pode ir ou não ir, com quem estar e até tomam as dores das filhas e
intervêm, são sempre o gatilho da desgraça. Porque são o terceiro elemento do
casamento, das amizades, dos empregos. E as filhas que lhes continuam a
obedecer (quantas conheço que até prestam contas da casa à mãe, apesar da mãe
não colocar um cêntimo na gestão familiar) serão mais tarde ditadoras à espera
da sua oportunidade. Mãe é mãe porque deve estar lá quando requisitada. Mas mãe
é também saber dizer que não quer saber sobre isso e que não pode ajudar a
tomar uma decisão conjugal. E ser filha também é difícil porque implica saber
quebrar regras, dizer não, não prestar contas.
Das relações confidentes entre mãe e filha saem quase sempre
regras permanentes. Quando ouço dizer que “ a minha mãe é a minha melhor amiga”
até tremo. Porque amiga é uma coisa, mãe é outra. Claro que conto coisas à
minha mãe sobre a minha vida. Mas outras só conto às minha amigas. Não me
sentiria muito à vontade para contar “ ontem apanhei uma bebedeira enorme. Nem
para referir aspectos mais íntimos. E, para ser franca, também não os quero
ouvir!
Criar gente independente é difícil. Gente que cresce, que
erra e que não dá satisfações deve ser difícil para uma mãe. Mas o princípio do
amor é deixar voar, independentemente da direcção. Isso é ser mãe. E quebrar
barreiras e dizer não também é difícil. Isso é ser filha. Tudo o mais é apenas
uma enorme confusão…
“Ser mãe não é uma profissão; não é nem mesmo
um dever: é apenas um direito entre tantos outros."
Oriana Fallaci.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Por favor, não se abstenha. Vote!
Todos sabemos que a história tem uma grande tendência a
repetir-se, mas a verdade é que ninguém esperava que o partido da extrema-direita
de Marine Le Pen conquistasse 10 câmaras municipais em França. Podemos
conjecturar sobre as razões desta vitória na França. Podem-se apontar razões
como o racismo e xenofobia contra os muçulmanos (os Arabs, como lhes chamam os franceses à boca pequena), a crise e a
insatisfação social que cresce por toda a França e por toda a Europa. Podemos
também reflectir sobre o discurso populista e anti-imigração que leva,
curiosamente, a que a comunidade portuguesa vote em Marine le Pen, porque os
portugueses não são Arabs e a culpa é
dos Arabs. Podemos perceber e debater
todas as causas sociais e económicas que levaram a esta vitória. Mas a verdade
é que Marine Le Pen só ganhou porque 38% da população se absteve. E este voto
de protesto, de desconfiança no sistema político, beneficiou um partido que
pouco respeita quer a democracia quer o próprio sistema político.
Dia 25 são as eleições europeias em Portugal. Eu sei que já
estamos fartos de políticos, de promessas não cumpridas, de “eles” serem todos
iguais. Mas a verdade é que se não votar está a dizer que não se importa que
eles sejam todos iguais. E que não se importa que este país e a Europa regresse
à idade dos medos, da xenofobia, da culpa dos outros.
Por isso vote. Não se abstenha. Vote em quem quiser, mas vote.
Porque senão novas Marine le Pen surgirão em toda a Europa porque nós nos
abstivemos. E isso é que não pode ser.
Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda.
Abraham Lincoln
quarta-feira, 26 de março de 2014
Se ela tivesse a minha vida, não fazia isso....
Já aconteceu a qualquer um de nós: num momento de felicidade alguém diz qualquer coisa para nos deitar
abaixo. É tão certinho como chover no Inverno e ter dias de sol no Verão. A
felicidade alheia é das coisas mais difíceis de suportar, tão difícil que tem
de ser exterminada como uma barata numa casa limpa. Mas ninguém sofre mais com
a crítica social, muitas vezes envolvida numa piada infeliz ou num comentário
despropositado, como as pessoas activas e bem bem-sucedidas.
Tenho uma grande
amiga, daquelas pertinho do coração, que trabalha muito e bem e, mesmo assim,
sai muito à noite, vai muito ao cinema, ao teatro e, sacrilégios dos
sacrilégios, ainda viaja sozinha. Recentemente envolveu-se numa associação e
ainda ajuda os outros. Ora bem, estávamos no outro dia a comentar como é que
ela consegue, tem tanta energia e tal, e uma de nós diz:" ah é porque não tem filhos. Se tivesse, como
eu, não tinha tempo para isso". Curiosamente esta é mesma rapariga que
disse que esta minha amiga só fazia o que fazia porque ainda não tinha namorado.
E antes disso porque ainda não tinha emprego. Ora agora que tem namorado e
emprego, a culpa é dos filhos. Mas quando tiver filhos e continuar a fazer tudo
o que faz, a culpa será de quem?
A mesquinhez que nos
ocupa a vida não nos permite admirar a vida dos outros. Se eu não faço muitas
coisas a mim o devo. Ou porque não quero, ou porque estou cansada, ou porque
chove ou porque faz sol, mas só a mim me devo culpar. E irrita-me profundamente
quem despreza a vida dos outros só porque não tem tanta capacidade ou vontade
de ter a mesma vida. A inveja faz mal a nós e aos outros. Mas não haja dúvida
que as pessoas mais activas sofrem mais de inveja do que todas as outras.
E é pena.
O termómetro do sucesso é apenas a inveja dos descontentes.
Salvador Dalí
domingo, 23 de março de 2014
O melhor contraceptivo de sempre.....
Pais
e filhos parem de se preocupar com a gravidez adolescente, com a gravidez
adulta, aliás com a gravidez sequer. O nosso governo resolveu o problema. Como
? Decretou que 20 anos de austeridade nos esperam. Sim, leram bem. 20
anos de austeridade nos esperam. Por isso adolescentes de 15 anos, se
engravidarem vão continuar sem mesada e sem perspectivas até aos 35. Com o plus
de vocês terem filhos tão novos quanto vocês, mas com menos perspectivas ainda.
20 anos. Bem se isto não vos abranda as hormonas, nada o fará. As minhas que já
estavam paradas, estagnaram. Pelo menos mais 20 anos…
Just love Passos Coelho & Friends….
segunda-feira, 17 de março de 2014
Quem é você?
É um tema constante
neste blogue mas a verdade é que não consigo ter uma resposta simples para a
pergunta “então quem é e o que faz?”. Nunca sei o que responder. O meu nome
ainda sei, o que faço também mas definir-me desta maneira e sempre da mesma maneira
parece-me tão redutor e limitado. Um dia gostava que alguém me perguntasse
apenas ” quem é você?”. E aí eu poderia responder que sou tantas coisas quanto
a minha imaginação. E que sou menos do que uma vida permite de tão curta que é.
E que nesta vida cabem tantos gostos diferentes quanto gelados e relatórios de
política. E que não gosto nada de gente racista nem que influenciem para coisas
que não quero. E que quero mudar o Mundo, não o meu Mundo mas o Mundo mesmo. E
que no meio disto tudo as pessoas que valem a pena continuem a aparecer na
minha vida. Você é uma delas?
Quem é você?
É que "quem sou eu?" provoca necessidade. É como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.
Clarisse Lispector.
terça-feira, 11 de março de 2014
A música da minha vida.
Não tenho essas coisas do melhor filme, da melhor amiga, do
livro que mais me marcou. A lista das coisas de que gostamos vai sempre se actualizando ao ritmo das coisas que passam
por nós, que mais não são que o ritmo da própria vida, vivida a vários tempos.
O que me emocionou ontem não será o mesmo que me emocionará amanhã, e este
simples facto é tão certo como respirar ou andar. Claro que alguns livros
permanecem sempre na nossa memória, tal como as memórias das pessoas que nos
marcaram e as próprias pessoas que gostamos. Dizia Virgílio Ferreira que
enquanto a memória perdurar nós existimos sempre para outro alguém e essa é uma
verdade que não podemos negar.
Mas estranhamente, e eu não sou de acreditar em misticismos,
sempre que alguma acontecimento define a minha vida, entro no carro e a mesma
música surge. Confesso que já me arrepia, não a frequência com que ouço a música
porque tal não ocorre, mas porque quando esta música me aparece na telefonia do
carro o momento de onde vim é marcante. E o raio da música toca sempre. Foi a
música que tocou quando entrei na Universidade de Évora, foi a música que tocou
quando a abandonei para sempre, foi a música que tocou no dia da operação do
meu pai, foi a música que tocou neste domingo depois de uma reunião diferente e
produtiva. E foi a música que tocou quando me despedi da minha casa e mudei
para outra. Se isto não é premonitório,
então não sei o que é. Se há uma música que é a música da minha vida só pode
ser esta porque se entranhou e não quer sair. E qual é a música? Bem, mais
premonitória não podia ser: O Primeiro dia, do Sérgio Godinho.
Porque este é o primeiro dia do resto da minha vida?
https://www.youtube.com/watch?v=Aj7rPPMiDSo&list=RDAj7rPPMiDSo
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