terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Direito ao meu descanso....

Não tenho por hábito me queixar do ritmo intenso da vida, porque francamente gosto de dias cheios e com muitas coisas. Estar em casa sem fazer nada dá-me cabo dos nervos e dou cabo dos nervos de quem me rodeia. Mas hoje, e só hoje, estou tão cansada que olho para a roupa que está a pedir para ir para a máquina e penso que até nem fica assim tão mal dentro do cesto. Se olhar bem, parece-me quase uma obra de arte contemporânea de Ken Wood. E a quantidade de emails que espera para ser respondida tem o seu charme e os telefonemas podem ser feitos amanhã. Não vou me vou desculpar com a necessidade de reflexão,nem com o direito ao descanso, porque não é nada disso que está em causa. O que quero mesmo é enrolar-me no sofá, assistir a má televisão e desligar um bocadinho o pensamento e todas as minhas inquietações. Mas só hoje, apenas só hoje. Porque amanhã é outro dia e amanhã é sempre tarde demais.

A preguiça é um pecado de certo modo são, porque incapacita o pecador para cometer outros.
Noel Clarasó.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cristina Anitsirc: uma mulher intensa!




Cristina Anitsirc Miranda é intensa. Foi a primeira coisa que reparei nos cinco minutos de conversa inicial: estava perante uma pessoa intensa. Mais tarde descobri também que Cristina não é apenas uma pessoa intensa, mas é sobretudo uma cidadã resiliente. Disse-me logo no início que é ela que procura sempre pegar na caneta para escrever a história da sua vida e isto não é dizer pouco. Nascida em Braga em 1978 fez o curso de Canto Lírico na Escola Superior de Música de Lisboa e, como tal, é cantora lírica. Ou melhor, é também cantora lírica porque está a nascer dentro dela uma actriz. Cristina não se assume para já como actriz, mas eu assumo que está aqui a nascer uma actriz e daquelas por quem vale a pena ir ao teatro. Mulher bonita, com uns olhos enormes que mostram a sua fome de palco, que é a sua fome de Mundo, mas cuja sensibilidade se revela quando nos confessa que se comove com os momentos de partilha entre os actores em palco e quando consegue criar empatia e cumplicidade com os companheiros de cena. “Estar em palco com uma pessoa que me transmite confiança ao ponto de eu sentir que estou perante uma extensão de mim própria, é orgânico”, torna tudo mais fácil, o público sente isso e “ o público nunca se engana com sensações” afirma peremptoriamente Cristina. Está cansada das teoria “só em Portugal” .Está farta que lhe digam que se fosse para fora era a “voz” .Está farta que lhe digam para emigrar. Diz que todos os nomes reconhecidos por estarem lá fora  antes estiveram cá dentro. E que muitos só saíram porque os empurramos lá para fora e Cristina quer ficar cá dentro, o seu caminho é cá, embora defenda que "é sempre bom ter contacto com outras culturas e outras formas de aprendizagem". Irrita-se quando lhe dizem que não se vai ao teatro, ao cinema ou à dança porque "não há dinheiro" quando há espectáculos de teatro e música de entrada livre . A cultura está aí e está viva. Dizer que não se vai ao teatro porque não se pode, é o mesmo que dizer que não se lê quando existem bibliotecas. E Cristina não pactua com estas teorias. Por isso é resiliente, tal como o teatro e a música são provas constantes de resiliência. Está farta das teorias do sucesso e não gosta do estigma português de que é preciso ir para fora para ter sucesso cá dentro. É uma hipocrisia, não se cansa de repetir Cristina, e nós damos-lhe razão. 
-“Se te dessem dinheiro ilimitado para a Cultura, o que farias com ele?”, lancei a provocação. Cristina não se ficou.
- “Sessões de sensibilização para a arte, nas escolas, nas juntas de freguesia, nas câmaras municipais. Para todas as idades e  para que cada um reconhecesse a importância da Arte para a sua vida.” Porque Cristina também não vive sem ensinar, porque ensinar também é uma forma de partilha. Dá aulas de voz a grupo de professores que formaram por sua própria iniciativa um grupo de canto. São resilientes, como ela. No fim da entrevista confessa-se cada vez mais realizada no teatro. Pergunto-lhe se o canto ficará para trás, se o teatro se chega à frente. Talvez sim, talvez não, quem sabe? Seja o que a vida lhe trouxer, que lhe traga palco. E que nesse palco “ eu seja feliz”. Porque, remata Cristina “ não se pode mudar a nossa crença”.

A nova paixão de Cristina é a peça de teatro “Eu é que sou o primeiro!”, que estreia já dia 31 e que vai estar em cena no Auditório Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha), às Sextas e Sábados às 21h30 e aos Domingos às 16h00.Tradução de Eduardo Pedroso ,encenação de Armando Caldas, com João José Castro, Miguel de Almeida, Cristina Miranda, João Pinho e Fernando Tavares Marques.Esta peça, de Israel Horowitz, é uma crítica ao espírito competitivo desenfreado da sociedade americana. Denuncia aquilo que as pessoas são capazes para chegar em primeiro.

Por isso, se gostou da Cristina e quer vê-la em palco vá ao teatro! Posso lhe garantir que vai dar por bem empregue o seu tempo. Para mais informações sobre a peça, contacte :Intervalo - Grupo de Teatro- tel. 214 141 739 . intervaloteatro@gmail.com 



Fotografias de Inês Cerejo. Todos os direitos garantidos. Para contactos profissionais envie email para inezcerejo@gmail.com

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Passatempo! Passatempo!Passatempo!

Olhaaaaa o passatempo!!

Neste blogue acredita-se que é possível construir um Mundo Maravilhoso. Mas para isso, cada um de nós tem de ser único, porque somos muitas coisas, não uma só. Just BE YOU!. Porque no nosso Mundo cabem filhos, maridos, mulheres, trabalho, política e sonhos,muitos sonhos. E já agora moda e livros. E é isso mesmo que estamos a oferecer: um livro Marisas's Beautiful World e um colar BE YOU.
Como participar? É fácil. Colocar um gosto nas páginas
https://www.facebook.com/shop.beyou?fref=ts
https://www.facebook.com/pages/Marisas-Beautiful-World/518287614860972
e escrever uma frase nas páginas acima sobre o que é para vocês um Dia Maravilhoso.  Muita atenção: têm de colocar gosto e a frase nas duas páginas e só podem concorrer com uma frase. A frase mais votada, na soma das duas páginas, ganha o passatempo. Inspirem-se e coloquem os amigos, familiares e vizinhos a votar.

Boa sorte. 1,2,3. Podem começar já!

P-s- O Passatempo dura até ao próximo sábado. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O Morto.

Vai o morto no caixão e todos exclamam " que bem que vai o morto, que roupa tão bonita". O caixão está bem luzidio, as rendas bem bordadas, um branco celestial cobre o morto. Todos olham para o morto com admiração, com apreço. A capela  está cheia de flores e de grandes dignatários e o padre empenha-se numa bonita homilia de elogio ao morto, aos seus esforços, à sua dedicação. O enterro é alegre mas digno, cheio de elogios,  mas conservando-se o  espírito reservado porque afinal é um funeral e o morto vai tão bem. É uma morte que valeu a pena, porque só a morte permitiu a baixa do défice, esse bem necessário. Morreu um país industrial, morreu um país científico, morreram as pequenas lojas, morreram as ideias, o pensamento, a arte  e o design, morreram os jovens e morreram os velhos. Mas que importa? O país morreu mas vai bonito e os dignatários sabem apreciá-lo. Que lindo morto que foi Portugal!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A agenda mais gira de 2014!


O que faltava para juntar às malas, às carteiras, aos porta-cartões e ao livro? Só a agenda para 2014! Já chegaram e podem ser encomendadas personalizadas, ou seja com o vosso nome, a agenda de 2014. Afinal, o nosso mundo precisa de organização! Para saber mais envie um email para filipemarisa@hotmail.com ou por mensagem aqui no blogue.
Bjs

Marisa

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os bolseiros.

É provável que, quando começarem a ler este texto, tenham sido bombardeados com histórias de bolseiros e da sua vida. E é provável que tenham sentido empatia com as histórias mas tenham ficado na mesma sobre a questão das bolsas. Porque a imprensa não explica  nem o que é uma bolsa nem o que é um bolseiro, ficando no ar aquela ideia de que são aqueles miúdos que continuam a estudar e a viver em casa dos pais. Bem, sim e não. Porque existem bolsas de estudo e bolsas de investigação científica. Confusos? Passo a explicar. Uma bolsa de estudos é dada a alunos carenciados que, devido à sua situação económica e/ou dos pais, recebem por mês um valor que lhes permite pagar as propinas ou uma ajuda para o pagamento das propinas. Essas bolsas são uma ajuda ao estudante, que necessita dessa bolsa para poder concluir o 12º ano, ou a sua licenciatura ou até o seu mestrado. São bolsas pequenas, não passam dos cento e pouco euros por mês e ajudam, apenas ajudam. Até agora, o Estado ainda não mexeu nestas bolsas, embora a papelada para se pedir a bolsa de estudos continue a aumentar. E depois existem as bolsas de investigação científica, que são aquelas bolsas pagas a quem está a fazer um doutoramento, ou pós-doutoramento ou pós-pós- doutoramento. Bem, esta gente na prática não são estudantes. Não, não são. Um exemplo prático. A tese de mestrado de uma aluna (paga pelos pais, suponhamos) levantou a questão de que a enzima x é essencial para combater a leucemia infantil. Então, essa aluna propõe-se a estudar esta enzima na esperança de encontrar uma cura para a leucemia infantil. Pede ao Estado uma bolsa de investigação científica e receberá, por mês, um valor (geralmente, em Portugal, são cerca de 980 euros) e estuda durante quatro anos essa enzima. Mas,  a cada ano, tem de apresentar provas do seu esforço para que lhe renovem a bolsa mais um ano, até completar os quatro. Imagine que a investigação permitiu avançar sobre a doença e agora são precisos testes. A aluna pede então bolsa de pós- doutoramento, para continuar a estudar a aplicação da enzima na vacina . Bem, isto não é um estudo, é um trabalho. Mas não se chama trabalho porque o Estado patrocina estas investigações através de bolsas e não tem capacidade de absorver estes investigadores nos seus laboratórios. Então, cada novo ano estes investigadores concorrem a estas bolsas até que algum laboratório ou empresa exterior os venha buscar e levar todo este saber para outro país. Mas a verdade é, que enquanto há bolsas, os investigadores preferem ficar por cá. Agora quando em 3433 candidatos, o Estado só atribui 308 bolsas, significa que os restantes 3124 bolseiros estão a parar as suas investigações e, muitos deles, irão sair do país. E talvez aquela aluna vá para os EUA onde a sua investigação vai ajudar a produzir a vacina contra a leucemia infantil.É por isso que isto das bolsas é tão revoltante. Porque não  é  apenas uma geração inteira que se perde, é todo um mundo de  saber que desaparece. No fim último, é o futuro que se vai embora.

O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.
Gandhi 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sei que não vou por aí!

Posso estar a ser injusta, posso estar até a ser demagógica. Posso sim. Mas quando me lembro daqueles que votaram de acordo com a imposição partidária na co-adopção e não de acordo com a sua consciência, algo que diz" continua a não ir por aí..."

Cântico negro


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí.


José Régio