terça-feira, 24 de dezembro de 2013

2013, que raio de ano.

2013. Que raio de ano. Não sei se devo dizer bem ou mal deste ano, porque teve muita coisa boa mas também muita coisa má. Foi o ano em que terminei o mestrado, o ano que lancei o livro das crónicas deste blogue e o ano em que o meu pai foi operado , assim de repente. E foi o ano em que morreram familiares próximos e que amigos sofreram perdas muito dificeis. 2013 não foi um ano aborrecido, isso não foi. E se trouxe tantas coisas boas como más, as coisas boas  que trouxe foram em grande e as más em expoente máximo.Mas, e porque há sempre um mas, se eu refletir muito bem, o meu ano só pode ter uma frase, que não é minha mas da minha amiga Sara C. " este ano mostrou como a vida é frágil, tão frágil como uma ventania leve que apaga a vela". E se este ano me mostrou uma coisa, é esta e apenas esta: que nada tenho que me queixar.Porque enquanto estes três estiverem por cá,na minha companhia, está e estará tudo bem.

Da esq para a direita a minha irmã, o meu pai, a minha mãe e eu(de casaco branco).


Um grande beijinho e abraço para aqueles para quem este Natal é mais triste.

E para todos nós, um Feliz Natal!

domingo, 22 de dezembro de 2013

O trauma da emigração


De 1955 até ao 25 de Abril, saíram de Portugal cerca de 92000 mil pessoas por ano. Em 2013 emigraram 120 mil portugueses, um número assustador. Os portugueses saem porque não há trabalho e porque é impossível abrir uma empresa em Portugal: os impostos são altíssimos, as burocracias indecifráveis e qualquer empreendedor tem contar com salários, segurança social, IRC, seguros de trabalho, médicos do trabalho, mais as despesas do dia-a-dia. Se uma máquina avaria, os preços baixos praticados para concorrer com a China tornam impossível manter  as empresas abertas.E não se cria qualquer legislação onde  se proíbaa importação de artigos produzidos por escravos do capitalismo sem direitos civis. É o mercado livre dizem os capitalistas, é o comunismo amigo dizem os comunistas. E por isso  as empresas obrigadas, e bem, a cumprir direitos  mas sem protecção contra os produtos baratos, feitos por gente sem direitos, declaram falência e emigram juntos patrões e empregados, lado a lado. Os bancos não emprestam e requerem de volta rapidamente o dinheiro emprestado e juros abusivos. Entregam-se fábricas e escritórios que ficam ao abandono, sem produzir e sem criar valor. Os bancos não os conseguem vender e interrogo-me porquê estas expropriações que não levam a nada. O governo não contrata e não abre empregos, mas deixa que os Recibos Verdes se propagem e deixa que  empresas menos sérias ofereçam empregos sem remuneração, baseados nos objectivos. Se vender recebem, se não venderem azar para eles, não para as empresas.  Ou então fazem estágios profissionais em empresas viciadas em estágios profissionais. Os mais novos, aqueles que os mais velhos acusam de ter tudo e não se sujeitar a nada, emigram na procura de uma vida que não é melhor porque não há qualquer comparação: aqui não há vida, naqueles países para onde se vai ainda há. E neste país que não consegue empregar nem tratar bem os empregadores nem os empregados, emigramos todos porque não podemos ficar. Não há ninguém que regule e saiba governar este país? Não. Sobem-se impostos, destroem-se ainda mais empresas, cria-se mais desemprego. E a Alemanha vende BMW para a China e electrodomésticos caros para os países emergentes. E Portugal derruba as últimas indústrias e os últimos estaleiros. E nós pagamos dívidas dos bancos não contraídas por nós, mas com aquele sentimento de culpa "que vivemos acima das nossas oportunidades “porque os nossos avós eram analfabetos e nós temos estudos e casa e carro e viagens. Uma verdadeira provocação às famílias de bem que não aguentam que  outros tenham  o que  eles sempre tiveram sempre. Direitos naturais, ouvi dizer, ou primos em Bancos e dinheiro mal vigiado. E a imprensa faz-nos sentir culpados ou miseráveis e defendemos que temos todos de pagar a crise, trabalhando mais em empregos que não existem ou emigrando. 120 mil saíram. O que é preciso para que estas políticas de austeridade  saiam de vez do nosso horizonte? 

Quando a culpa é de todos, a culpa não é de ninguém.
Concepción Arenal.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O dia em que descobri que não queria ser Santa...

Tinha sete anos e fui com os meus avós a Fátima. O meu avó era ateu mas negociava mármores e tinha ido a Fátima comprar Creme de Mós, em blocos. Findo o negócio fomos os três, o meu avô, a minha avó e eu, até ao Santuário de Fátima. Em 1987 só existia a pequena igreja  onde estavam enterrados os dois pastorinhos, Jacinta e Francisco.Jacinta morreu com sete anos, idade que eu tinha na altura. Perguntei à minha avó porque é que os meninos tinham morrido. A minha avó, tentando ser o mais pedagógica possivel, explicou-me que tinham falecido porque Deus os queria junto de si, porque eram muito bons meninos. E então pensei, na minha ingenuidade sempre certeira " é melhor começar a portar-me mal".

As meninas boas vão para o céu, as más para todo o lado.
Mae West


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Da Sónia

Recebido hoje:

"E porque cada um tem o seu mundo, hoje recebi a minha carteira Beautiful World personalizada. É gira, não é? Não se deixem enganar pelo ar certinho da menina e entrem neste blog, vão adorar, garanto-vos. http://marisasbworld.blogspot.pt/"

Obrigado pelo miminho minha linda Sónia!
Beijinhos
Marisa

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Quantos amigos temos?

Temos por hábito dizer que amigos temos poucos, mas bons. E que tudo o resto são conhecidos ou pessoas com quem apenas nos damos. A amizade é uma coisa muito difícil de manter, muito mais difícil de que uma relação amorosa. Há quem tenha amigos até ter namorado/a e depois só tem amigos casais, geralmente muito insonsos ou, como eu gosto de lhes chamar, “os casais cheios de frio”, porque dizem sempre que estão com frio ou sono para largarem os amigos e voltarem para casa. Comigo amigos que desaparecem com namoros são amigos que desparecem para sempre. Aceito a fase da paixão, aceito a fase do estar a dois, mas depois de algum tempo ou recebo uma mensagem e telefonema ou Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye. E sobretudo odeio quando esses amigos que não nos ligam há dois , três anos ,e de repente se lembram de sair à noite, café, jantar, com o famoso “ então, vamos sair?” como se a nossa vida não tivesse também mudado e nela não tivessem entrado outros ritmos, outras pessoas e também novos amigos. Gente que pára no tempo e depois regressa porque agora já precisa de nós, é como ver um filme dos anos 80 em que a história é má e a permanente é péssima. E  se eu  me recuso a fazer permanente e usar enchumaços, também me recuso a ser lembrada quando é preciso. Isto é o bom de se ter 33 anos: aos 20 queremos agradar a todos, aos 30 já não estamos para isso.
Por isso concordo que temos poucos amigos, mas bons, que não é o mesmo que dizer que os amigos têm de ser feitos na escola  e depois não temos mais nenhuns. Isso é uma treta. Amigos entram em qualquer altura da nossa vida, porque mudar é bom e importante. Os amigos não se escolhem nem pela idade, nem pelo sexo, nem pela localização geográfica. Amigos escolhem-se pela cumplicidade, pelos segredos partilhados e mantidos em segredo. Amigos escolhem-se pelas convicções e pela honestidade. E amigos não nos condenam, mesmo que tenham vontade. Amigos, amigos são poucos ,mas bons. E entram na nossa vida com a intuito de ficar no nosso mundo e de nos  manterem no mundo deles mesmo que chova ou faça sol.
Porque  se amor em part-time não é amor, Amizade em part-time não é amizade.

"É mais vulgar ver um amor absoluto do que uma amizade perfeita."
La Bruyère , Jean de

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O meu livro disponível na BOOK IT, Campo de Ourique.


Esta foto foi tirada ontem na BOOK IT de Campo de Ourique(rua Ferreira Borges), durante a sessão de autógrafos do meu livro Marisa's Beautiful World, que reúne as melhores crónicas deste blogue e alguns inéditos. Como sabem, os novos autores têm muita dificuldade em arranjar espaço na prateleira. Se repararem cada vez que vamos a uma livraria temos acesso só aos consagrados ou aos autores mais populares. E é óbvio que, quando vamos comprar um presente, levamos um dos livros que estão disponíveis. Esta semana, o meu livro vai ter espaço de prateleira na BOOK IT de Campo de Ourique, estando disponível para qualquer pessoa que deseje e por um óptimo preço:9,90 euros. Passem por lá para visitar o livro. Beijinhos.




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Diabo veste PRADA, eu leio PRADA.



Escrevi uma história sobre a PRADA e a PRADA gostou. Gostou de que defendesse que é uma indústria que emprega milhões de pessoas e que o bom gosto é essencial para qualquer pessoa. Antes que me apontem os defeitos da moda, também sei que no Bangladesh existe exploração de crianças e mulheres, situação que devemos todos lutar contra. Eu gosto de moda, gosto que paguem salário dignos, gosto que nos façam mais bonitas/os. Logo, gosto de roupa, acessórios, sapatos, brincos, you name it and I Love it. Como não sou uma blogger de moda, mas que também fala de moda, recebo o Lookbook of Prada, onde numa edição de luxo se conta a história da PRADA. Eu confesso que estou muito feliz. E só mesmo para fazer inveja, coloco aqui as fotos. Se para o ano receber um vestido PRADA, ninguém me atura.






Aquilo que veste é a forma como se apresenta ao mundo, especialmente nos dias que correm, em que os contactos humanos são rápidos e fugazes. A moda é uma linguagem instantânea.

Miuccia Prada