terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Quantos amigos temos?

Temos por hábito dizer que amigos temos poucos, mas bons. E que tudo o resto são conhecidos ou pessoas com quem apenas nos damos. A amizade é uma coisa muito difícil de manter, muito mais difícil de que uma relação amorosa. Há quem tenha amigos até ter namorado/a e depois só tem amigos casais, geralmente muito insonsos ou, como eu gosto de lhes chamar, “os casais cheios de frio”, porque dizem sempre que estão com frio ou sono para largarem os amigos e voltarem para casa. Comigo amigos que desaparecem com namoros são amigos que desparecem para sempre. Aceito a fase da paixão, aceito a fase do estar a dois, mas depois de algum tempo ou recebo uma mensagem e telefonema ou Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye. E sobretudo odeio quando esses amigos que não nos ligam há dois , três anos ,e de repente se lembram de sair à noite, café, jantar, com o famoso “ então, vamos sair?” como se a nossa vida não tivesse também mudado e nela não tivessem entrado outros ritmos, outras pessoas e também novos amigos. Gente que pára no tempo e depois regressa porque agora já precisa de nós, é como ver um filme dos anos 80 em que a história é má e a permanente é péssima. E  se eu  me recuso a fazer permanente e usar enchumaços, também me recuso a ser lembrada quando é preciso. Isto é o bom de se ter 33 anos: aos 20 queremos agradar a todos, aos 30 já não estamos para isso.
Por isso concordo que temos poucos amigos, mas bons, que não é o mesmo que dizer que os amigos têm de ser feitos na escola  e depois não temos mais nenhuns. Isso é uma treta. Amigos entram em qualquer altura da nossa vida, porque mudar é bom e importante. Os amigos não se escolhem nem pela idade, nem pelo sexo, nem pela localização geográfica. Amigos escolhem-se pela cumplicidade, pelos segredos partilhados e mantidos em segredo. Amigos escolhem-se pelas convicções e pela honestidade. E amigos não nos condenam, mesmo que tenham vontade. Amigos, amigos são poucos ,mas bons. E entram na nossa vida com a intuito de ficar no nosso mundo e de nos  manterem no mundo deles mesmo que chova ou faça sol.
Porque  se amor em part-time não é amor, Amizade em part-time não é amizade.

"É mais vulgar ver um amor absoluto do que uma amizade perfeita."
La Bruyère , Jean de

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O meu livro disponível na BOOK IT, Campo de Ourique.


Esta foto foi tirada ontem na BOOK IT de Campo de Ourique(rua Ferreira Borges), durante a sessão de autógrafos do meu livro Marisa's Beautiful World, que reúne as melhores crónicas deste blogue e alguns inéditos. Como sabem, os novos autores têm muita dificuldade em arranjar espaço na prateleira. Se repararem cada vez que vamos a uma livraria temos acesso só aos consagrados ou aos autores mais populares. E é óbvio que, quando vamos comprar um presente, levamos um dos livros que estão disponíveis. Esta semana, o meu livro vai ter espaço de prateleira na BOOK IT de Campo de Ourique, estando disponível para qualquer pessoa que deseje e por um óptimo preço:9,90 euros. Passem por lá para visitar o livro. Beijinhos.




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Diabo veste PRADA, eu leio PRADA.



Escrevi uma história sobre a PRADA e a PRADA gostou. Gostou de que defendesse que é uma indústria que emprega milhões de pessoas e que o bom gosto é essencial para qualquer pessoa. Antes que me apontem os defeitos da moda, também sei que no Bangladesh existe exploração de crianças e mulheres, situação que devemos todos lutar contra. Eu gosto de moda, gosto que paguem salário dignos, gosto que nos façam mais bonitas/os. Logo, gosto de roupa, acessórios, sapatos, brincos, you name it and I Love it. Como não sou uma blogger de moda, mas que também fala de moda, recebo o Lookbook of Prada, onde numa edição de luxo se conta a história da PRADA. Eu confesso que estou muito feliz. E só mesmo para fazer inveja, coloco aqui as fotos. Se para o ano receber um vestido PRADA, ninguém me atura.






Aquilo que veste é a forma como se apresenta ao mundo, especialmente nos dias que correm, em que os contactos humanos são rápidos e fugazes. A moda é uma linguagem instantânea.

Miuccia Prada
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Portugal Agora

Estive durante esta tarde, acompanhada pelo "colega" cá de casa, a assistir ao evento Portugal Agora. Quando  o Fernando Alvim lançou a pergunta “ alguém tem mais ideias que queira partilhar”, não me ocorreu absolutamente nada. Nada. E no caminho, a debater as ideias ouvidas (os emails enviados ao vivo para os políticos; a questão do mérito, etc…) ocorreu-me finalmente uma ideia, mas devo contextualizar. Em 2009 fui em trabalho à Finlândia, país que veneremos porque é civilizado e do Norte. Nos sete dias que lá estive passou-me pela cabeça sobretudo o suicídio ou tornar-me alcoólica permanente. Até quando estavam bêbedos os finlandeses atravessavam nas passadeiras, não existia ruido, tudo funcionava, mas o tempo e a falta de criatividade mataram-me. Ora, o dia mais feliz foi o dia de ir embora, até que chego ao aeroporto e descubro que me enganei e enganei a minha irmã, e o nosso voo tinha sido na noite anterior. E o que é que fiz? Desatei a chorar ao balcão da companhia aérea, implorei para sair da Finlândia. Bem, deve ter sido tanta emoção para a senhora que nos deixou embarcar do género “ sai daqui, essas emoções não se enquadram nas regras”. Um português, bem-disposto e que gostou de assistir a tudo aquilo e que ia à Finlândia frequentemente, foi ter connosco e disse:” Portugal é fabuloso. Tem gente bonita, tem bons solos, tem tudo. O que é triste é que nos podemos ter tudo o que os Finlandeses têm ( educação, emprego, etc) mas eles nunca poderão ter o que nós temos”.  Caí em mim hoje! Caramba, a pergunta é mesmo essa: porque é que nós não temos o que os finlandeses têm?
Bem, as respostas podem ser longas mas o que o que aqueles tipos têm é: regras e simplicidade. Aqui é para as bicicletas, aqui para os carros, aqui para as pessoas. The end.
Ora Portugal precisa de apenas  ser simples e regrado, mas não demais, só em alguns coisas básicas e uteis. Por exemplo,  para a simplicidade, todos os contractos devem ser tão simples de entender, que até uma criança de 8 anos perceba. Tudo o que o puto não perceber deve ser proibido porque nós também não entenderemos. Esta é a minha ideia, a seguinte não é minha é do "colega" cá de casa.
Para as regras, se uma empresa der lucro, o gestor deve ter direito a essa parte do lucro. Se não der lucro, não pode receber mais que o salário base, que deve ser assim pequenino, ou até o mínimo.
Dois exemplos simples e regrados. E se juntarmos a isto a nossa criatividade, o nosso dinamismo, o nosso sol, e a nossa cerveja e vinho, então nós teremos tudo. Mas mesmo tudo!

Para ver outras ideias, siga este link:




segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Apresentação do livro, 15 de Dezembro.



Convido-vos, a todos, a assistirem à apresentção do livro Marisa's Beautiful World no dia 15 de Dezembro, pelas 16 horas, na Book IT da Ferreira Borges em Lisboa.O livro reúne as melhores crónicas do blogue e alguns inéditos. Conto com todos para nos conhecermos e conversarmos um bocadinho.Bjs. Marisa

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Winnie e Nelson Mandela


Sou uma romântica incorrigível, mesmo quando não devo. E adoro histórias de amor, principalmente se por detrás está a tragédia à espreita, que torna a vida mais próxima da ópera do que da comédia. Nelson e Winnie Mandela viveram uma história de amor intensa e inacreditável. Winnie está longe, mas muito longe mesmo de ser uma santa, ou uma mulher que se deva admirar. Mas é impossível negar a extraordinária vida desta mulher. Casou com Mandela em 1958, contra a vontade do pai. A família de Winnie era rica e possibilitou-lhe o acesso à educação, num país onde as casas de banho eram separadas por cores, mas isso toda a gente já sabe. A primeira assistente social negra a exercer em Joanesburgo viu o marido entrar na clandestinidade em 1961 e ser preso em 1962 até ser libertado em 1990. 28 anos longe da família, 27 anos preso. Portanto Winnie  só viu o marido   duas vezes por ano, durante 27 anos, porque os prisoneiros só tinham direito a meia hora de visita de seis em seis meses.  É óbvio que teve amantes, e mais dois filhos desses amantes. 27  anos é muito tempo, tempo demais e ninguém sabe o que o casal combinou. Quando Mandela saiu, Winnie estava lá, mas já não era a mesma e não podia ser. Acusada de fraude, de roubo e de assassinato, Winnie foi  e era culpada de tudo. Mandela teve de separar-se  da mulher que amava por uma causa maior, o seu país. Fez bem. Mas os laços não se cortaram. Foi Winnie que criticou o partido por mostrarem o ex-marido com ar debilitado. Foi Winnie que criticou as visitas constantes que debilitavam Mandela. Porque para o bem e para o mal, foi Winnie que esteve ao lado de Mandela nos momentos mais decisivos da sua vida. Até ao fim.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A profissão mais velha do Mundo.

A profissão mais velha do mundo é a estupidez crónica. Nasceu no mesmo dia em que o macaco se tornou bípede, sendo que o macaco é menos estúpido que o homem. Dizer que a prostituição é a profissão mais velha do mundo é apenas acusar as mulheres de serem putas, vulgares, indignas. Provavelmente a profissão mais velha do mundo terá sido a agricultura, ou a caça. Mas caiu-se na vulgaridade de se atribuir à prostituição este triste epitáfio, condenando as mulheres a carregar este peso, tal como Eva carrega o peso do pecado apesar de ter sido o parvo do Adão que comeu a maça. 
A prostituição é uma profissão em Portugal, apesar de estar na terra de ninguém, porque o proxenetismo é ilegal, e os bordéis proibidos. Mas as prostitutas e prostitutos não têm protecção legal ,nem fazem descontos, porque não enquadramos a profissão em termos legais. Então o que fazer com esta profissão?
A Suécia, a Noruega e o Reino Unido punem os clientes, mas a oferta da internet subiu, subindo também os riscos de transmissão de doenças entre prostitutas e clientes.  A Holanda, a Alemanha, a Suíça e a Grécia regulamentaram a prostituição considerando-a uma actividade económica. A Alemanha já divulgou os lucros da actividade no sexo, num claro pragmatismo.
Mas existem questões não esclarecidas. Por exemplo, as mulheres que se dedicam à prostituição são livres ou pertencem a redes de leste, onde são escravizadas? A Alemanha tem este problema presente e as prostitutas tem facilidade em sair desta profissão, que não é igual às outras, ou o facto de se ter profissão ” prostituta/o” escrito no currículo pode condicionar a vida futura destes homens e destas mulheres?

Bem, não sei responder a estas questões. Mas gostava que fossem debatidas na sociedade portuguesa porque a crise está a levar mais mulheres e homens para as ruas, onde  para muitos é a única forma de sustentarem as  famílias. Mas sobretudo quero que lhe parem de chamar a profissão mais velha do mundo. Porque raramente foi uma profissão e realmente não foi a primeira.

Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
Nelson Rodrigues