O Papa Francisco disse-o, Soares disse-o, eu
digo-o: uma Europa perigosa está a surgir a passos largos. Manifestaram-se
ontem em Atenas apoiantes da Aurora Dourada, o partido da extrema-direita que
elegeu 18 deputados para o Parlamento Grego, a exigir a libertação do seu líder
Nikos Michaloliakos, acusado de
assassinar Pavlos Fyssas, cantor anti-fascista, à saída de um bar. Na
Eslováquia o partido de extrema-direita A Nossa Eslováquia, conseguiu ser
eleito para governar a região Banská Bystrica, e o seu discurso anti-cigano venceu o discurso democrático.
Na Hungria o partido Amanhecer Húngaro, está prestes a conseguir a legalização,
com um discurso anti-semita e anti-cigano. Nesta mesma Hungria que criminaliza
os sem-abrigo, prendendo-os depois de três detenções: quem é pobre é preso por
ser pobre. Na Áustria, o partido da extrema-direita, anti-imigrante e anti-europeu,
subiu nas tendências de voto. Na França, a ministra de origem guianesa é
chamada de macaco e crianças atiraram-lhe bananas na rua. Ao mesmo tempo, o
partido de Marine Le Pen sobe nas intenções de voto. O massacre na Noruega, na
ilha de Utoya, foi apenas há dois anos. Lembram-se do motivo? Matar a nova
geração de liberais noruegueses, dos que colocam os direitos humanos como bandeira humana antes da cor da sua bandeira.
É uma Europa a ferro e
fogo onde a culpa da crise económica não é dos bancos, nem da desregulação
bancária, nem dos negócios privados que lesam o Estado nem dos maus políticos. A
culpa é dos ciganos, dos emigrantes, dos pretos, do outro.
Que se deve fazer? Bem,
nisto sou sueca. O líder da extrema-direita foi recebido no Parlamento Sueco com um
bolo na cara (o que se diria em Portugal, meu Deus!). O primeiro-ministro não
lhes concede audiências porque com este tipo de gente não há diálogo.
Com o racismo, com a
xenofobia não se dialoga.Não se dá voz.Porque Hitler não pode voltar a morar aqui.
Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.
Mandela, Nelson
