segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Estamos "vingados".

A felicidade dos outros é irritante, já o escrevi aqui várias vezes. O ser humano não aguenta doses de felicidade alheia  sem ficar com "aquele" sentimento de irritação. Claro que não os demonstramos, escudamo-nos em frases "como estou tão feliz por ti" ou " que lindo ver a vossa felicidade". Mas a verdade não é essa. Um bocadinho de felicidade alheia aguenta-se, muita felicidade alheia torna-nos aquele animal invejoso e, algumas vezes, rancoroso também. Claro que demonstrar publicamente estas emoções perante amigos e família é feio, desmascara-nos e ainda bem que sabemos  representar o papel do "eu estou tão feliz por ti". É o mínimo.
Agora, quando são figuras públicas, aí o nosso ódio, rancor e todos aqueles sentimentos maus que temos ,nos surgem à tona e podem circular livremente. É como se eles, as figuras públicas, existissem para nos sentirmos  vingados quando a vida não nos corre de feição. Eu sou infeliz, mas tu também te divorciaste. Eu sou gorda, mas tu também estás com uma cara péssima. A Casa dos Segredos é exemplo disto mesmo: aqueles que  não gostamos são atacados com a maior das displicências como se os conhecêssemos ou soubéssemos exactamente quem é a pessoa que estamos a atacar. E basta percorrer um bocadinho a blogosfera para percebermos que o ódio não só anda à solta como está descontrolado. A nossa pequena moral solta-se sem freio, e o nosso poder de dizer mal de forma quase anónima é usado sem limites, porque nós somos melhores do que aqueles que estão ali na televisão "a fazer aquelas figuras". E agora eu poderia dizer que devemos ver o melhor dos outros e blá blá blá, pardais ao ninho. Mas, se aquelas figurinhas estão ali à mão e até se voluntariam para fazer aquele papel, como resistir? Como não formar uma opinião se todos os dias os vemos na tv? Mesmo que não  assistamos ao programa (eu a este não assisto, mas já assisti a vários), sabemos quem  são estas personagens  pelas capas das revistas. Só se formos cegos e surdos é que não sabemos, mesmo que levemente, o que se passa nos reality shows. Por isso, se tem o vício de se meter na vida dos outros, canalize a sua vontade de maledicência para estes programas e deixe a vida da sua  vizinha, da sua nora e da sua família em paz. Porque às nove da noite já dá outra vez na tv aquela que anda com o outro que é pai da filha da outra.  E há lá coisa melhor que falar da vida dos outros, ainda mais quando os próprios permitem? Já agora, a Bernardina traiu ou não o namorad0? Sim? -" Que galdéria. Aquela nunca me enganou, eu logo no primeiro dia disse....."

Se existe no mundo coisa mais aborrecida do que ser alguém de quem se fala é certamente ser alguém de quem não se fala.
Oscar Wilde

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Margarida Rebelo Pinto

Eu gosto da Margarida Rebelo Pinto. Cada vez que fala eu sinto-me mais inteligente. Depois de ver a sua Revista de Imprensa, onde o que a senhora queria dizer é que a culpa é do Sócrates, nada mais que isso, recordei-me da minha Revista de Imprensa e fiquei mesmo orgulhosa. Depois, a conversa da Guida é exactamente a mesma dos cafés aqui da minha zona. Cada velho, novo ou de meia-idade sabe dizer:" são todos corruptos, mereciam era viver como eu que pago isto, aquilo e outro, e políticos na prisão já". Portanto entre a Guida e a malta dos cafés da zona, prefiro os últimos que são mais e não falam com aquele sotaque de " eu estou tão enfadada de ter de vos explicar tudo". Para todos nós a culpa da crise é nacional e política apenas. Não tem nada que ver com os mercados da India e China que colocam cá os produtos mais baratos porque não pagam direitos sociais como nós, não tem nada a ver com a falta de regulação do sistema bancário que engana clientes e só negoceia para o cliente perder ainda mais do que tem, nada que ver com os impostos abusivos que as finanças e segurança social querem arrecadar a qualquer custo e colocam coimas sobre coimas, levando milhares de empresas ao desespero e à falência. Não, a culpa é do Sócrates. Ou do Passos. Ou do Cavaco. Só e apenas. Ok, por mim pode ser. É tão mais fácil repetir frases sem pensar nas coisas, se repetirmos muito uma ideia acabamos por acreditar nela. Pensar no mercado internacional, ou seja deixar entrar produtos que destroem a nossa economia sem uma taxação adequada, sem pensarmos que  a escravatura laboral em países como o Bangladesh onde Adidas e a Benetton fazem as suas roupas  nos afecta; continuarmos a lutar pelos nossos direitos mas esquecendo dos mesmos quando o professor é contratado e  “eu que sou do quadro logo não me afecta”, por isso nada de ir para a rua; não sair em defesa de uma coima única nas finanças e não coima sobre coima sobre coima, que leva as empresas ao encerramento e à perda de milhares de postos de trabalho,  não pensar global, também faz de todos  nós umas Margarida Rebelo Pinto . Esqueçam a Margarida e outras como ela. Esqueçam partidarices outras parvoíces. A crise não se desenrola só no nosso quintal. Estamos dispostos a comprar mais barato no chinês, ou estamos dispostos a lutar para que em países como a China se apliquem impostos como cá? Estamos dispostos a regular a banca? Estamos dispostos a regular finanças? Estamos dispostos a não comprar Audis e BMW e apostar numa produção automóvel nacional? Estamos dispostos a ajudar as empresas portuguesas a exportar, colocando funcionários nas embaixadas e consulados só para defenderem as nossas empresas na exportação de bens? Estamos dispostos a tratar todos os professores por igual, avaliando-os a todos, não importa se são ou não contratados? E estamos dispostos a sair à rua ,mesmo que isso incomode a Guida, quando os governos se preparam para atacar as leis fundamentais deste país?  A que estamos dispostos para não dizermos parvoíces como a Margarida Rebelo Pinto?

Ora, aguenta!

Os bancos BES, BCP, CGD e Banif perderam este trimestre 1183 milhões, o que para quem nunca teve um milhão é mais ou menos a mesma coisa. Eu acho estranho que se percam coisas tão grandes, mas distraíram-se e pronto, as coisas também se perdem. Eu cá em casa estou sempre a perder coisas. O que eu acho mais giro é que a culpa da perda este dinheiro é da crise. Espera lá, mas em 2008 a crise não era uma oportunidade? O Senhor Salgado não nos disse que os portugueses gastaram de mais, esses loucos varridos? Então, que se passou agora para estes senhores astutos e ponderados e sábios perderam dinheiro? Já sei, viveram acima das suas possibilidades. Ah, não é a crise. Espera, mas a crise não é uma oportunidade e novos mercados e tal? Esperem que o senhor do Banif está a falar. Afinal a culpa é dos cocos. Eu já sabia, nunca gostei de nada com coco. Ah, mas não é isso afinal. Os cocos são os juros do dinheiro que o Estado emprestou para salvar o Banif. Faz sentido, porque o cidadão português também fica falido e chateado de ter de pagar os juros do dinheiro que o banco empresta. É uma injustiça.
Eu creio, mas isso sou só eu, que se os bancos não tivessem expropriado “à louca” casas, carros e bens de pessoas, nem fechassem fábricas e outras empresas, se tivessem tido uma atitude de negociação verdadeira e honesta e não "de ou paga já ou fica sem nada", talvez as pessoas pudessem ter continuado a pagar o que deviam e mais os cocos.
Olhem meninos, como diz o outro do BPI que se escapou por pouco: agora, aguentem!


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

E porta- chaves com um Mundo Maravilhoso?

Conheço a Isabel Aldim desde sempre. Conhecemo-nos num curso de artes ( sim, super chique) e ficámos amigas nesse curso. A nossa adolescência dava um filme que eu não vou contar. Não vou contar mesmo. Quando o Marisa's Beautiful World começou a tomar forma, lembrei-me que a Isabel e eu podíamos fazer qualquer coisa juntas, confiando nas capacidades artísticas da Isabel, que é uma verdadeira artesã, daquelas com certificado na parede e tudo. A senhora é croma, ou “muito habilidosa” como diz a minha avó. Por isso, vamos lançar este projecto juntas! Yeahhhhhh!! E para começar, apresentamos-vos estes porta chaves .Não, não é para comprarem com o dito “My Beautiful World”, embora também  o possam fazer. Mas como eu acredito que cada um de nós tem o seu próprio mundo, substituam o My pelo vosso nome ou outro a gosto e têm um porta-chaves personalizado: Rita Beautiful World, Mariana Beautiful World e por aí.  Porque o vosso mundo tem de ser celebrado!E o preço? 3 euros. Sim, com nome gravado e tudo, 3 euros! Como encomendar? Bem, se vivem fora de Lisboa terá de ser pelos emails filipemarisa@hotmail.com ou pelo ialdim@gmail.com. O vosso lindo porta-chaves será enviado com os portes de envio incluídos, portanto 3 euros mais qq coisa. Se vivem em Lisboa telefonem para a Isabel, 
919049234 e podem ir buscar o vosso porta-chaves personalizado ao seu bonito atelier no centro de Lisboa.
Espero que este projecto vos agrade tanto como nos está a agradar ,à Isabel e a mim,entrarmos juntas neste Mundo Maravilhoso! Sejam bem- vindos!






segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ambição

Leio,(na Caras, claro!) que a Cristina Ferreira é ambiciosa e procura sempre mais. Esta frase estupenda é dita pela própria, que se assume com ambiciosa, como se a ambição fosse apenas uma qualidade. Não é a única, parece que a ambição,  essa "qualidade" outrora considerada um defeito (e dos maus), se tornou uma virtude retemperadora e fascinante. A ambição, o sermos "profissionais implacáveis", o "atingir objectivos", são termos da gestão de que a vida do dia-a-dia se apropriou para tomar conta da própria vida. E este enorme disparate, esta enorme falta de senso, foi sendo repetida até ao infinito da parvoíce e usada como consideração elogiosa da personalidade e não o defeito que representa.  Francis Bacon, um filósofo é claro, dizia que a  a "ambição é como a bílis, humor que torna os homens ativos ardentes, cheios de alegria e movimentados” mas se não houver limites “começa a ser maligna e venenosa”. Os homens ambiciosos, dizia Bacon, que encontram caminhos abertos para a sua ascensão e continuam a progredir, “são mais negociosos do que perigosos”, mas se forem contrariados nos seus desejos, “tornam-se secretamente descontentes, e projetam mau-olhado sobre os outros homens e sobre as coisas". O problema da ambição é que esta não encontra limites, quando temos o que queremos procuramos sempre mais, numa escala que não tem fim nem tectos morais. Porque devemos ter objectivos e sonhos, obviamente, mas quando a ambição toma conta da nossa vida e nos revelamos sempre ambiciosos, estamos a dizer que somos capazes de fazer algumas coisas ( ou bastantes coisas)  menos éticas,  ou  que simplesmente colocamos os nossos objectivos e sonhos acima dos sonhos e objectivos dos outros. Aprendi no Dexter que os melhores gestores ou CEO  têm características psicopatas, ou seja são ambiciosos e implacáveis. O que significa que não cultivam outras coisas, talvez menos importantes é certo, como o amor, a amizade, e uma boa conversa.  Talvez não possamos ser todos Mourinhos, nem Zeinal Bavas nem Ronaldos.  E talvez existam outras coisas tão importantes como o sucesso profissional que devemos ambicionar como, por exemplo, uma vida repleta de sonhos, de amigos, de coisas boas à nossa volta. Porque quando nos concentramos em nós, e apenas em nós, mais tarde olhamos em volta e só vemos conquistas, glórias e prémios,  mas deixamos de ver pessoas. E aí, de que serviu a glória do mundo quando não temos com quem a partilhar?

"Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela."

Maquiavel, Nicolau

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pão por Deuuuuuuuuuuuuuuus

Eu nem dormia na noite anterior! O dia 1 de Novembro era, para as crianças da aldeia onde nasci, o seu feriado preferido. A minha avó cosia todos os anos dois novos sacos para o Pão por Deus, bordados à mão,  porque só um não chegava. Quando o primeiro enchia, corríamos para nossas casas para o despejar e buscar o segundo. O meu pai ficava à porta à minha espera para que eu não perdesse tempo. Na noite anterior a minha mãe comprava as línguas de gato, os figos secos, os rebuçados e os beijinhos, de longe os meus bolos preferidos. Lambia a parte de cima dos beijinhos, aquela massa amarela, ou rosa ou azul de açúcar e deixava para comer depois a bolacha estaladiça ou nunca as comia porque o que eu gostava mesmo era do açúcar, tal como todas as crianças. No dia 1 de Novembro saíamos bem cedo, em grupos ou até sozinhos, porque nesse dia estava tudo na rua e ninguém se importava. Os mais novos iam aos colos das mães e assim apresentavam-se  à aldeia" olha, tão grande que ele está" ou" que rico menino". Nas casas mais pobres, que as havia, recebíamos fruta e nas mesmo muito pobres não íamos, porque toda a gente  da aldeia sabia da vida de toda a gente. E fazíamos fila para as casas que compravam os mini chocolates, tão raros na altura! Uma vez recebi uns smarties e senti-me no céu. Mas o Pão por Deus também era a forma de os meninos e meninas pobres da minha aldeia terem, durante dias e dias, doces e algum dinheiro (porque havia quem desse dinheiro) que  no resto do ano lhes era vedado. Quem nunca viveu o feriado de Todos os Santos (de longe o mais democrático para os Santos), e a magia do Pão por Deus, nunca entenderá que as bruxas e os diabos dos americanos são uma forma de Carnaval pobre fora de tempo. E que a magia do Pão por Deus basta por si para tornar o dia mais feliz de tantos meninos e meninas. E que matou a fome de algumas famílias pobres, que nesta altura do ano tinham em casa a abundância que lhes faltava o resto do ano. Talvez seja pouco, mas em tempos de crises que vivemos, isto tudo parece-me tão tanto....

Ó tia, dá Pão-por-Deus?
Se o não tem Dê-lho Deus!
Provérbio popular


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Tipo Uau! Que fantástica reforma do Estado para a Cultura!!! UAU!!!!

Bem pessoal, acedi agora à reforma do Estado feita pelos senhores do governo. Malta, o texto não passava nem no guião inicial de apresentação de uma tese de mestrado. O quadro teórico é mau, as formatações não existem e no início a nossa crise começa em 2011 e a meio do texto em 2008.  Tipo, ya!!!
Ainda não li tudo mas já fui ler a FANTÁSTICA REFORMA DO ESTADO PARA A CULTURA!! Eh pá, tipo é bué! É mesmo ya e bué. Leiam isto, na página 78 e 79!

Reforma do Estado para a Cultura

"A função do Estado na Cultura tem de sair da mera dicotomia 
entre a preservação do património e o apoio à criação artística: 
o Estado tem de ser, cada vez mais, facilitador na relação com 
a referência e a experiência cultural, da fruição e acesso de 
cada cidadão à cultura. Este papel acrescido significa 
responder à procura com mais informação, com mais parcerias, 
com uma maior descentralização, com a colaboração – sem 
sobreposição, dirigismo ou substituição - com as autarquias, 
empresas e sociedade civil; com apoio à produção e à 
internacionalização; a continuar a encontrar novos públicos em 
conjunto com as indústrias criativas, o turismo e a educação."

Sim, e como? Concordamos com o que escreveram, toda a gente escreve isto no 12º ano ,na boa. Agora como vamos fazer isso? Bem, está aqui a resposta!

"Esta função, significa garantir que tanto o património como as 
várias formas de expressão cultural contemporânea podem ser 
encontrados; que existe uma maior referenciação dos bens 
culturais; uma desmaterialização no acesso arquivístico e 
documental e o alargamento dessas possibilidades na área do 
livro e da leitura. A abertura do acesso à cultura – tanto virtual como geográfico - qualifica e responsabiliza todos os cidadãos e entidades públicas e privadas, servindo de base à inovação e 
a um modelo de desenvolvimento que tenha na cultura um 
referencial importante."

Ou seja: vamos colocar coisas on-line (que é o que se tem feito), tanto nas bibliotecas como nos museus. Está bem. E as bibliotecas vão estar abertas aos fins de semana? Eh lá, não sabemos. E os museus vão ter serviços educativos acessíveis a todos? Eh lá, não pensamos nisso. E vão ficar abertos depois das seis, que é quando o público em geral consegue ir ao museu? Eh, lá pois isso agora..... Ah, mas é possível que as empresas privadas colmatem as falhas do Estado, podendo garantir o funcionamento dos museus e bibliotecas depois das seis? Olha, que engraçado não pensámos nisso.... E vai haver apoios para a criação artística? Para o teatro? Para o cinema? As empresas privadas de audovisuais vão ser gravemente punidos por não pagarem os fundos devidos para o cinema, como está na lei mas não está a ser cumprido?  Olhe, leia mas é o guião. É o que lá está e pronto! E assim, a montanha não pariu um rato. Pariu um hamster..

Para ler na íntegra.


Muito barulho para nada
W.Shakespeare