quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ora, aguenta!

Os bancos BES, BCP, CGD e Banif perderam este trimestre 1183 milhões, o que para quem nunca teve um milhão é mais ou menos a mesma coisa. Eu acho estranho que se percam coisas tão grandes, mas distraíram-se e pronto, as coisas também se perdem. Eu cá em casa estou sempre a perder coisas. O que eu acho mais giro é que a culpa da perda este dinheiro é da crise. Espera lá, mas em 2008 a crise não era uma oportunidade? O Senhor Salgado não nos disse que os portugueses gastaram de mais, esses loucos varridos? Então, que se passou agora para estes senhores astutos e ponderados e sábios perderam dinheiro? Já sei, viveram acima das suas possibilidades. Ah, não é a crise. Espera, mas a crise não é uma oportunidade e novos mercados e tal? Esperem que o senhor do Banif está a falar. Afinal a culpa é dos cocos. Eu já sabia, nunca gostei de nada com coco. Ah, mas não é isso afinal. Os cocos são os juros do dinheiro que o Estado emprestou para salvar o Banif. Faz sentido, porque o cidadão português também fica falido e chateado de ter de pagar os juros do dinheiro que o banco empresta. É uma injustiça.
Eu creio, mas isso sou só eu, que se os bancos não tivessem expropriado “à louca” casas, carros e bens de pessoas, nem fechassem fábricas e outras empresas, se tivessem tido uma atitude de negociação verdadeira e honesta e não "de ou paga já ou fica sem nada", talvez as pessoas pudessem ter continuado a pagar o que deviam e mais os cocos.
Olhem meninos, como diz o outro do BPI que se escapou por pouco: agora, aguentem!


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

E porta- chaves com um Mundo Maravilhoso?

Conheço a Isabel Aldim desde sempre. Conhecemo-nos num curso de artes ( sim, super chique) e ficámos amigas nesse curso. A nossa adolescência dava um filme que eu não vou contar. Não vou contar mesmo. Quando o Marisa's Beautiful World começou a tomar forma, lembrei-me que a Isabel e eu podíamos fazer qualquer coisa juntas, confiando nas capacidades artísticas da Isabel, que é uma verdadeira artesã, daquelas com certificado na parede e tudo. A senhora é croma, ou “muito habilidosa” como diz a minha avó. Por isso, vamos lançar este projecto juntas! Yeahhhhhh!! E para começar, apresentamos-vos estes porta chaves .Não, não é para comprarem com o dito “My Beautiful World”, embora também  o possam fazer. Mas como eu acredito que cada um de nós tem o seu próprio mundo, substituam o My pelo vosso nome ou outro a gosto e têm um porta-chaves personalizado: Rita Beautiful World, Mariana Beautiful World e por aí.  Porque o vosso mundo tem de ser celebrado!E o preço? 3 euros. Sim, com nome gravado e tudo, 3 euros! Como encomendar? Bem, se vivem fora de Lisboa terá de ser pelos emails filipemarisa@hotmail.com ou pelo ialdim@gmail.com. O vosso lindo porta-chaves será enviado com os portes de envio incluídos, portanto 3 euros mais qq coisa. Se vivem em Lisboa telefonem para a Isabel, 
919049234 e podem ir buscar o vosso porta-chaves personalizado ao seu bonito atelier no centro de Lisboa.
Espero que este projecto vos agrade tanto como nos está a agradar ,à Isabel e a mim,entrarmos juntas neste Mundo Maravilhoso! Sejam bem- vindos!






segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ambição

Leio,(na Caras, claro!) que a Cristina Ferreira é ambiciosa e procura sempre mais. Esta frase estupenda é dita pela própria, que se assume com ambiciosa, como se a ambição fosse apenas uma qualidade. Não é a única, parece que a ambição,  essa "qualidade" outrora considerada um defeito (e dos maus), se tornou uma virtude retemperadora e fascinante. A ambição, o sermos "profissionais implacáveis", o "atingir objectivos", são termos da gestão de que a vida do dia-a-dia se apropriou para tomar conta da própria vida. E este enorme disparate, esta enorme falta de senso, foi sendo repetida até ao infinito da parvoíce e usada como consideração elogiosa da personalidade e não o defeito que representa.  Francis Bacon, um filósofo é claro, dizia que a  a "ambição é como a bílis, humor que torna os homens ativos ardentes, cheios de alegria e movimentados” mas se não houver limites “começa a ser maligna e venenosa”. Os homens ambiciosos, dizia Bacon, que encontram caminhos abertos para a sua ascensão e continuam a progredir, “são mais negociosos do que perigosos”, mas se forem contrariados nos seus desejos, “tornam-se secretamente descontentes, e projetam mau-olhado sobre os outros homens e sobre as coisas". O problema da ambição é que esta não encontra limites, quando temos o que queremos procuramos sempre mais, numa escala que não tem fim nem tectos morais. Porque devemos ter objectivos e sonhos, obviamente, mas quando a ambição toma conta da nossa vida e nos revelamos sempre ambiciosos, estamos a dizer que somos capazes de fazer algumas coisas ( ou bastantes coisas)  menos éticas,  ou  que simplesmente colocamos os nossos objectivos e sonhos acima dos sonhos e objectivos dos outros. Aprendi no Dexter que os melhores gestores ou CEO  têm características psicopatas, ou seja são ambiciosos e implacáveis. O que significa que não cultivam outras coisas, talvez menos importantes é certo, como o amor, a amizade, e uma boa conversa.  Talvez não possamos ser todos Mourinhos, nem Zeinal Bavas nem Ronaldos.  E talvez existam outras coisas tão importantes como o sucesso profissional que devemos ambicionar como, por exemplo, uma vida repleta de sonhos, de amigos, de coisas boas à nossa volta. Porque quando nos concentramos em nós, e apenas em nós, mais tarde olhamos em volta e só vemos conquistas, glórias e prémios,  mas deixamos de ver pessoas. E aí, de que serviu a glória do mundo quando não temos com quem a partilhar?

"Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela."

Maquiavel, Nicolau

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pão por Deuuuuuuuuuuuuuuus

Eu nem dormia na noite anterior! O dia 1 de Novembro era, para as crianças da aldeia onde nasci, o seu feriado preferido. A minha avó cosia todos os anos dois novos sacos para o Pão por Deus, bordados à mão,  porque só um não chegava. Quando o primeiro enchia, corríamos para nossas casas para o despejar e buscar o segundo. O meu pai ficava à porta à minha espera para que eu não perdesse tempo. Na noite anterior a minha mãe comprava as línguas de gato, os figos secos, os rebuçados e os beijinhos, de longe os meus bolos preferidos. Lambia a parte de cima dos beijinhos, aquela massa amarela, ou rosa ou azul de açúcar e deixava para comer depois a bolacha estaladiça ou nunca as comia porque o que eu gostava mesmo era do açúcar, tal como todas as crianças. No dia 1 de Novembro saíamos bem cedo, em grupos ou até sozinhos, porque nesse dia estava tudo na rua e ninguém se importava. Os mais novos iam aos colos das mães e assim apresentavam-se  à aldeia" olha, tão grande que ele está" ou" que rico menino". Nas casas mais pobres, que as havia, recebíamos fruta e nas mesmo muito pobres não íamos, porque toda a gente  da aldeia sabia da vida de toda a gente. E fazíamos fila para as casas que compravam os mini chocolates, tão raros na altura! Uma vez recebi uns smarties e senti-me no céu. Mas o Pão por Deus também era a forma de os meninos e meninas pobres da minha aldeia terem, durante dias e dias, doces e algum dinheiro (porque havia quem desse dinheiro) que  no resto do ano lhes era vedado. Quem nunca viveu o feriado de Todos os Santos (de longe o mais democrático para os Santos), e a magia do Pão por Deus, nunca entenderá que as bruxas e os diabos dos americanos são uma forma de Carnaval pobre fora de tempo. E que a magia do Pão por Deus basta por si para tornar o dia mais feliz de tantos meninos e meninas. E que matou a fome de algumas famílias pobres, que nesta altura do ano tinham em casa a abundância que lhes faltava o resto do ano. Talvez seja pouco, mas em tempos de crises que vivemos, isto tudo parece-me tão tanto....

Ó tia, dá Pão-por-Deus?
Se o não tem Dê-lho Deus!
Provérbio popular


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Tipo Uau! Que fantástica reforma do Estado para a Cultura!!! UAU!!!!

Bem pessoal, acedi agora à reforma do Estado feita pelos senhores do governo. Malta, o texto não passava nem no guião inicial de apresentação de uma tese de mestrado. O quadro teórico é mau, as formatações não existem e no início a nossa crise começa em 2011 e a meio do texto em 2008.  Tipo, ya!!!
Ainda não li tudo mas já fui ler a FANTÁSTICA REFORMA DO ESTADO PARA A CULTURA!! Eh pá, tipo é bué! É mesmo ya e bué. Leiam isto, na página 78 e 79!

Reforma do Estado para a Cultura

"A função do Estado na Cultura tem de sair da mera dicotomia 
entre a preservação do património e o apoio à criação artística: 
o Estado tem de ser, cada vez mais, facilitador na relação com 
a referência e a experiência cultural, da fruição e acesso de 
cada cidadão à cultura. Este papel acrescido significa 
responder à procura com mais informação, com mais parcerias, 
com uma maior descentralização, com a colaboração – sem 
sobreposição, dirigismo ou substituição - com as autarquias, 
empresas e sociedade civil; com apoio à produção e à 
internacionalização; a continuar a encontrar novos públicos em 
conjunto com as indústrias criativas, o turismo e a educação."

Sim, e como? Concordamos com o que escreveram, toda a gente escreve isto no 12º ano ,na boa. Agora como vamos fazer isso? Bem, está aqui a resposta!

"Esta função, significa garantir que tanto o património como as 
várias formas de expressão cultural contemporânea podem ser 
encontrados; que existe uma maior referenciação dos bens 
culturais; uma desmaterialização no acesso arquivístico e 
documental e o alargamento dessas possibilidades na área do 
livro e da leitura. A abertura do acesso à cultura – tanto virtual como geográfico - qualifica e responsabiliza todos os cidadãos e entidades públicas e privadas, servindo de base à inovação e 
a um modelo de desenvolvimento que tenha na cultura um 
referencial importante."

Ou seja: vamos colocar coisas on-line (que é o que se tem feito), tanto nas bibliotecas como nos museus. Está bem. E as bibliotecas vão estar abertas aos fins de semana? Eh lá, não sabemos. E os museus vão ter serviços educativos acessíveis a todos? Eh lá, não pensamos nisso. E vão ficar abertos depois das seis, que é quando o público em geral consegue ir ao museu? Eh, lá pois isso agora..... Ah, mas é possível que as empresas privadas colmatem as falhas do Estado, podendo garantir o funcionamento dos museus e bibliotecas depois das seis? Olha, que engraçado não pensámos nisso.... E vai haver apoios para a criação artística? Para o teatro? Para o cinema? As empresas privadas de audovisuais vão ser gravemente punidos por não pagarem os fundos devidos para o cinema, como está na lei mas não está a ser cumprido?  Olhe, leia mas é o guião. É o que lá está e pronto! E assim, a montanha não pariu um rato. Pariu um hamster..

Para ler na íntegra.


Muito barulho para nada
W.Shakespeare

terça-feira, 29 de outubro de 2013

300 milhões de falantes de português...

Saiu hoje no Público (dia 29 de Outubro de 2013) que nos próximos 5 a 10 anos seremos 300 milhões a falar português. E fala-se também da importância da língua para a ciência, para a economia, para a cultura. E para a união dos povos da lusofonia e para as potencialidades da língua. E eu penso que o melhor da língua portuguesa é a poesia e a prosa que dela sai e que 300 milhões de pessoas a poderão entender e saborear. Por muito que se goste de Pablo Neruda, nunca entenderei a melodia das palavras como um peruano, um espanhol ou um chileno. Mas poderei entender a cadência dos sons de um Ferreira Aguilar, de um Mia Couto, de um Pepetela, de uma Florbela Espanca... E sobretudo entendo muito e muito bem, a beleza deste poema que do Brasil nasceu mas que ao mundo do português falado e escrito foi dado.


Soneto da Fidelidade
(Vinícius de Moraes)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
E que a poesia e o português seja eterno enquanto dure, seja ele falado por 300 milhões ou por 3 pessoas...

sábado, 26 de outubro de 2013

Semanas e percentis


Quando um bebé nasce, todo um outro mundo temporal se abre para os pais. Os dias voam, as semanas passam sem dar por isso, e aquela pequena coisa que nem sequer fala ou anda, domina dois adultos perfeitamente saudáveis  e aparentemente racionais. O que é estranho é quando esses dois adultos se esquecem que já existiu uma vida pré-bebé e até costumavam usar uma linguagem perfeitamente ajustada que torna o mundo entendível por todos e, de repente, falam-nos em coisas estranhas como o percentil  e as semanas de existência da criatura. De repente, o bebé já não completa um mês, nem um mês e meio mas sim quatro semanas, seis semanas, oito semanas. Até aqui tudo bem, o problema começa nas vinte e oito semanas e aí não sabemos se o bebé ainda não gatinha ou se já está a entrar na pré-adolescência. E quando os progenitores nos param de torturar com as charadas das semanas, entram nos 16 meses da criatura e por aí fora. Nunca hei-de saber se existe uma combinação secreta entre os que têm filhos para torturarem os que não têm, mas desconfio que sim. Por isso, decidi que agora à pergunta " que idade tens?" responderei  1716 semanas ou então 396 meses e depois façam as contas. Mas o que ainda me “fascina “ainda mais é a guerra dos percentis. Ninguém sabe o que é um percentil até ter um puto para cuidar ou ter amigos que nos falem constantemente disso. Agora, o verdadeiramente fascinante é assistir a uma conversa entre pais, onde ganha o bebé que tiver o percentil maior. Eu creio que o percentil nos bebés é equivalente às notas no liceu e, segundo os pais, deve ter uma ligação directa. Ainda vou ouvir uma mãe a gabar-se do seu filho ter entrado em medicina porque o percentil dele sempre foi muito elevado, já às 12 semanas o percentil era elevadíssimo!!!!
Resumindo: semanas e percentis podem ter todo o sentido e serem dados estatísticos completamente válidos, mas convém que os papás se lembrem que já houve um momento que semanas se convertem em meses e depois em anos, num ritmo completamente crescente e natural, e que percentis se transformam em gramas, quilos e , nalguns bebés e em muitos adultos em calorias desnecessárias. E também que se lembrem que já nos é difícil entender o bebé, não precisamos de deixar de entender os pais.

Quando nos fazemos entender falamos sempre bem.