quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Em casa dos pais!

Estou temporariamente em casa dos meus pais. Depois de ter saído de casa aos 18 anos para estudar, voltei para casa um ano depois do curso terminar. Foi tão mau que me disseram " arranja casa" e a minha irmã, no dia em que saí, mudou-se para o meu quarto alterando-o completamente. Portanto, passados 15 anos voltei para casa. Não, não é um horror. É uma tragédia! Não tenho quarto, não tenho nada. Mas tenho que ter boa disposição porque os meus pais precisam da minha ajuda  e agora  não lhes vou faltar. Tenho saudades da minha casa, do meu sofá, das minhas coisas. Não sei ligar estes electrodomésticos, não sei fazer café nesta máquina, estou totalmente dependente. A minha mãe só vê a SicMulher: é a Nigella, é o American Got Talent, é uma série qualquer que eu nem percebo mas tem mulheres a gritar. E quando muda é para assistir a dramas reais no National Geografic.A sério mãe, já não te chega a realidade?
Portanto, sou uma visitante temporária onde temporariamente nada me é cedido. Tenho tantas saudades do meu sofá que quando voltar para casa vou dormir dois dias seguidos enroscadinha nele. Até tenho saudades dos meus talheres, vejam bem.
Não há nada como a nossa casa. E isso não inclui família . Família é uma coisa, casa é outra. A minha casa é independência, liberdade e até serenidade. 
Ai quando eu chegar a casa....

A casa de um homem é o seu castelo. Edward Coke.

domingo, 15 de setembro de 2013

Esperança!

É o sentimento que me persegue nos últimos dias. Esperança no futuro, esperança no presente, esperança a cada hora que passa. A angústia desaparece suavemente e dá lugar  a esta  esperança que inunda toda a casa. Quero respirar esta esperança cada vez mais. Quando nada podemos fazer, há quem se volte para a fé, outros que se voltam para a raiva, outros para a introspecção . Eu quero me voltar para a esperança, hoje, agora, amanhã. 
Seja qual for o nosso caminho, os nossos receios, a nossa fé, eu acredito num futuro melhor para cada um de nós. Esta é a minha fé: esperança na humanidade. Porque encontramos, sem esperar, pessoas que nos dão o apoio na hora certa, a palavra bonita no momento que mais precisamos. E derrubam fronteiras para nos trazer um pouco de esperança, esse bem tão raro e tão necessário para combater a angústia. 
Tudo em mim, tudo em nós, é esperança.

P.S.- Este texto foi escrito no período da pós-operação de um familiar muito próximo. Quem passa por momentos complicados, seja connosco ou alguém da nossa família, sabe da angústia que nos acerca e do sentimento de total impotência. Mas correu tudo bem, mesmo tudo bem. E por isso, para quem vai passar ou está a passar por alguma situação deste género, desejo o melhor e apenas o melhor. Ninguém nos tira a angústia, mas também ninguém nos retira a esperança.

Um beijinho muito grande.


domingo, 8 de setembro de 2013

O Spread.

Para quem tem casa própria, a palavra spread é tipo bicho papão "Aiii que  me vão aumentar o spread".Falamos uns com os  outros de quanto é o nosso spread, numa tentativa de ver quem é mais esperto e fez melhores contratos.Se alguém tem o spread a 0,5 é um génio, se o spread é de 1,9 é uma asco que não sabe negociar. Mas o que é o spread? O spread é uma taxa de juro, definida pelo seu banco, indexante à taxa de juro variável. Ou seja,é uma taxa de juro que se indexa à Euribor. Se a Euribor baixa,o custo associado do spread também baixa. Se a Euribor sobe, o custo associado  do spread também aumenta porque vão coladinhos como num casamento.O drama dos spreads começa quando alguém perde o emprego ou muda de casa. Aí vai-se  de joelhos, pedindo muita licença para não chatear, renegociar com o banco. O senhor doutor do banco é muito simpático  e aumenta tudo, diluindo o empréstimo por um período maior de anos e aumentando o spread, pois como diz o senhor doutor bancário "são ordens de Lisboa, nada posso fazer" . E como nós nunca sabemos nada dessas coisas, vamos na conversa e até vamos muito contentes porque este mês até já vamos pagar a prestação da casa, embora o spread tenha aumentado para o dobro e em vez de pagarmos a casinha por mais 20 anos, vamos pagar por mais 40. E o problema é irmos na conversa, porque pensamos que nada podemos fazer. Isso não é verdade. No caso dos spreads, o banco não pode aumentar o spread no crédito à habitação em caso de divórcio, separação judicial de pessoas e bens, união de facto, arrendamento da casa que garante o crédito à habitação, desemprego de um dos cônjuge e mudança para um local de trabalho a mais de 50 km. Também são contempladas pessoas que já estejam numa situação económica dificil.
Por isso, antes de compararmos se o teu spread é maior que o meu, estejamos muito atentos às mexidelas dos bancos nas nossas contas. Vá ao Banco de Portugal informar-se antes de ir ao seu banco. É que todos temos direitos mas temos de os saber defender.E protestar. Afinal é do seu dinheiro que estamos a falar. 

Um banco é um estabelecimento que nos empresta um guarda-chuva num dia de sol e nos pede de volta quando começa a chover.
Frost, Robert

domingo, 1 de setembro de 2013

Sou perfeccionista, sou o máximo.

Domingo à noite, jantar em casa dos meus pais e a clássica Nova Gente. Vem a Fanny na capa, o que é sempre promissor. E depois uma entrevista uma qualquer aspirante a atriz/ cantora e a clássica pergunta: -"qual o seu maior defeito?", ao que a atriz/ cantora responde a clássica resposta (passe-se o pleonasmo)- " sou muito perfeccionista. Sou a minha maior inimiga". E bingo, temos aqui um autoelogio descarado. Perfeccionismo, teimosia, mau feitio significam a mesma coisa" sou uma pessoa com carácter, que gosto de tudo bem feito, podem confiar em mim totalmente". Uau, que grande defeito. Terrível, que pessoa terrível.
A resposta à pergunta também só pode ser esta. Afinal, que parvoíce é esta de perguntar qual é o maior defeito? Defeitos são sempre apontados por outros e escondidos por nós, tal como deve ser. Ninguém vai responder: sou péssima pessoa, sou capaz de tudo para conseguir o que eu quero. Ou então sou um preguiçoso do pior. Ou sou viciado em jogo, perco o dinheiro todo.
Existem perguntas que não se fazem e respostas que não se dão. Esta é a rainha de todas as perguntas que não se fazem. Por isso não percam tempo a dizer que têm mau feitio, ou que são muito exigentes convosco ou que não aguentam falhar porque são muito perfeccionistas. Já sabemos que os vossos defeitos não existem ou são para manter escondidos. Antes assim, que defeitos são defeitos, não são qualidades disfarçadas. Ah, e qual o meu defeito? Bem, sou perfeccionista.... 

"O problema das pessoas que não têm defeitos é que, com certeza, têm virtudes terríveis." 
Elizabeth Taylor.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Vou comprar a Acrópole!

O ano passado, aí por esta altura, tentei comprar uma ilha na Grécia. Sou uma benemérita, quero ajudar os pobre gregos da alhada em que se meteram e  também não quero que o meu papá e os seus amigos banqueiros percam dinheiro. A maçada é que os ingratos dos gregos não querem vender as ilhas e eu só queria uma pequenina, assim bem gira, que só custa dois milhões.  Das 227 ilhas gregas sem habitantes, uma seria para mim e para os meus amigos para fazermos assim uma party, tipo helénica e tal. Vou toda vestida de Armani e já tenho tema: Greek Desire. Só é chato ainda não ter a ilha, aquele aborrecido do Papandreous não quer vender as ilhas, onde já se viu isto?
A tia Merkel anda furiosa com a Grécia.Ao menos se ainda estivessem a ganhar dinheiro com a dívida pública, ao menos se estivessem a enriquecer com os juros exorbitantes dos outros, como a Alemanha.
Nada, a Grécia  até nos fez mais ricos, muito mais ricos.Mas isto de não vender as ilhas é uma maçada. E depois, essa coisa de não nos quererem pagar os juros exorbitantes, onde já se viu? Os gregos não sabem que os bancos é que mandam?
Agora o titi  Shauble é que lhes vai fazer ver! É que se não venderem as ilhas, devem vender o património histórico.Embora eu ache que também devem vender as ilhas. É que eu já estou a ver a Acrópole a decorar a minha ilha...

"Admira-se o talento, a coragem, a bondade, as grandes dedicações e as provas difíceis, mas só temos consideração pelo dinheiro."
Chamfort , Sébastien-Roch.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Na Síria já não existem domingos nem o mês bom de Agosto....

Está calor, muito calor aqui pelo reino dos Algarves. Os restaurantes estão cheios, as praias também e comem-se bolas de Berlim com creme.Existem massagistas tailandesas na praia que nos curam as maleitas do corpo e da alma e, por uns breves instantes, é domingo no mundo como canta o Sérgio Godinho. E as crianças correm, e a pele fica bronzeada e amores de verão vão e vêm como as ondas do mar.
Está tudo bem, mesmo tudo bem. Porque é Agosto e está calor, muito calor.
E, sem mais, o Público publica a foto de um menino de três anos, embrulhado na sua mortalha. E o calor torna-se insuportável, a angústia cresce. Na Síria já não é Agosto desde 2011. Já não há domingos nem dias bons, nem crianças a brincar pelas ruas. E não deixo de  me perguntar  que, se o menino Hassan se chamasse João, talvez estivesse na praia a brincar enquanto os pais refilavam da crise que nos assola.E compreendo que enquanto os meninos de Portugal estiverem na praia a brincar, mesmo que não haja dinheiro para as bolas de Berlim continuará a ser domingo no Mundo e Agosto durante todo o ano...

Para lerem a notícia  sobre o massacre ocorrido na Síria na integra, cliquem no link abaixo.

http://www.publico.pt/mundo/noticia/37-paises-pedem-a-onu-investigacao-sobre-ataque-quimico-na-siria-1603714

quarta-feira, 21 de agosto de 2013