Podia ser um pormenor mas não é. A Bélgica território não tem rei, os Belgas têm. A Bélgica território é composto por três regiões: a Flandres ( que foi um País independente durante séculos), a Valónia e Bruxelas, a capital. A Belga enquanto país só existe desde 1830 e Leopoldo foi o primeiro rei dos Belgas.Primeiro rei dos Belgas. País dividido em três regiões e com idiomas diferentes, na Flandres fala-se neerlandês, na Valónia francês, em Bruxelas ambas as línguas. Há uns quantos que também falam alemão. Com culturas, idiomas e visões diferentes, o território da Bélgica congrega politicamente e socialmente estas facões cada vez mais expressivas. A Bélgica já ficou 9 meses sem governo porque as forças políticas não se entenderam.A única coisa que ainda une o país é o seu rei, rei dos Belgas sem coroa e sem estandartes reais porque representam apenas a vontade de um povo e não uma possessão territorial. Isto podia ser apenas um pormenor mas não é. E é irritante que nenhum jornalista tenha tido em atenção este detalhe tão importante que representa a visão de um país dividido. Por isso, mais uma vez. Hoje os Belgas têm um novo rei. Os Belgas. Só os Belgas.
domingo, 21 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Eu não sou Cool!
Estava muito bem a conversar com uma amiga minha de longa
data, quando uma conhecida (muito querida por sinal) me vem cumprimentar. Eu
lembrava-me da cara dela, mas a rapariga lembrava-se do meu nome e tudo. E, no
meio da conversa, descobrimos que nos conhecíamos dos tempos do liceu e que
ainda temos amigos e comuns. Até que vem aquela frase " pois no liceu
éramos tão cools". Gelei. Não,
era claramente um engano. Se há coisa que nunca fui foi cool. Posso ser
antipática, simpática, arrogante, acessível, parva, amorosa, palerma ou
perspicaz, mas se há coisa que nunca fui foi cool.
Primeiro, porque uso óculos fundos de garrafa (mesmo!) e ,
como tal, vejo nada bem. Depois, porque
passei sempre ao lado das modas da época: na adolescência usava calças extra
largas e camisas aos quadrados verdes e brancas. Nunca usei nada justo. Depois
porque passava a vida a ouvir phones no liceu era apaixonada pelo Eddie Vedder
dos Pearl Jam e soletrava musicas dos
Soundgarden pelo liceu. E isso não era nada cool.
Depois porque nunca andei em grupos de raparigas, nem nunca me interessei pelos
rapazes do liceu ou do sítio onde morava. Nunca me viram em vãos de escadas aos
risinhos nem com problemas amorosos. Os rapazes entraram tarde na minha vida e
isso foi uma bênção. Só aos 16 anos percebi que eles existiam e não fiquei
propriamente satisfeita... Os homens dão muito trabalho e a maioria das
preocupações que nos dão é totalmente desnecessária. O liceu para mim foi um
dos poucos momentos da minha vida onde apenas a música contava e onde eu
sonhava ir ao Egipto ver as pirâmides. Não usava batom, não usava roupa justa,
não tive desgostos amorosos, não me sentei no banco dos fixes da escola, não
tocava guitarra. Não disse " opah
que cena", nem " ele é
espectacular". Eu não era a cool, nem a nerd. Eu era apenas uma das que lá andava, e isso fez-me feliz. Claro
que muita gente me deve ter achado esquisita, mas aposto que era reciproco. Por
isso chamem-me tudo, mesmo tudo, menos cool.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Momentos extraordinários.
Há poucos momentos em que podemos afirmar que estamos a viver momentos extraordinários, mas este é um deles. Os políticos gostam muito de dizer que se está a fazer história,mas raramente isso é verdade. Nestas semanas de Julho de 2013, estamos de facto a viver momentos extraordinários. Desde um acordo de salvação nacional, a um novo governo, a uma união de partidos de esquerda
(que nunca aconteceu em Portugal), que este país não vive sobressaltado, vive iluminado. O que nos está a acontecer neste momento é maravilhoso. Sim, leram bem, maravilhoso. Significa que a política, ou seja acções concretas para atingir um fim que se quer positivo para o bem comum, está viva. Independentemente de partidos, ou dependente de partidos, voltou-se a falar, a pensar, a sair da cartilha tão espartizada que cada opção política tinha. Sejam de direita ou de esquerda, os partidos estão vivos e mesmo que estejam desgastados, estão a produzir ideias. Nós ainda não sabemos o que daqui vai sair, se é bom ou mau, mas o facto de se voltar a pensar, a ter ideias, a apresentar novas propostas e soluções é muito positivo.
(que nunca aconteceu em Portugal), que este país não vive sobressaltado, vive iluminado. O que nos está a acontecer neste momento é maravilhoso. Sim, leram bem, maravilhoso. Significa que a política, ou seja acções concretas para atingir um fim que se quer positivo para o bem comum, está viva. Independentemente de partidos, ou dependente de partidos, voltou-se a falar, a pensar, a sair da cartilha tão espartizada que cada opção política tinha. Sejam de direita ou de esquerda, os partidos estão vivos e mesmo que estejam desgastados, estão a produzir ideias. Nós ainda não sabemos o que daqui vai sair, se é bom ou mau, mas o facto de se voltar a pensar, a ter ideias, a apresentar novas propostas e soluções é muito positivo.
Só falta a sociedade civil, onde me insiro, ser parte activa também. Cada um de nós deve contribuir para o debate, deixando de usar desculpas e frases feitas como " eles são todos iguais" ou " "mudam-se os poleiros e fica tudo na mesma"
Uma sociedade activa é uma sociedade menos corrupta, mais dinâmica e mais justa. E é este o momento de cada um de nós contribuir com ideias para o debate político. Ideias construtivas, vivas, que coloquem o ser humano e o melhor de cada um de nós em primeiro lugar. Sejamos de direita, esquerda, centro, ou apenas alguém que pensa, este é o momento. Fale!
E, para não falhar o meu próprio repto, deixo aqui 3 ideias para o meu país:
- Que o mínimo de contribuição para a Segurança Social ( cerca de 123 euros) termine. Defendo que cada pequeno empreendedor deve apenas descontar proporcionalmente ao efectivamentre realizado em cada mês. Se apenas facturou 80 euros, não tem condições para pagar 123.
- Que exista subsídio de desemprego para empresários. Descontaram, têm direitos como os trabalhadores.
- Que no caso de expropriação de qualquer imóvel por parte dos bancos ou outras entidades públicas, estes sejam obrigados a manter o imóvel em bom estado de uso. É horrível passar por antigas zonas industriais e habitacionais com prédios expoliados depois de serem penhorados pelos bancos.
Todos nós, que estamos preocupados com a paz e o triunfo da razão e da justiça, devemos estar hoje claramente conscientes do peso que uma pequeníssima justificação e uma boa vontade honesta podem exercer sobre os acontecimentos na vida política. Mas, independentemente disso, e independentemente do nosso destino, podemos estar certos de que sem os esforços incansáveis daqueles que estão preocupados com o bem-estar da humanidade como um todo a maioria da espécie humana estaria muito pior do que se encontra realmente agora.
Albert Einstein,'Discurso (1948)
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Irrevogável.
Anda o País completamente à nora com o significado do que é irrevogável, que afinal se revoga
politicamente apesar da sua irrevogabilidade. E eu pensei no que é para mim
irrevogável. E para mim só existe uma coisa: o Amor.
Não, não sou uma romântica, detesto "convenções"
amorosas, abomino peluches, cartões com
corações ou qualquer outra coisa similar. Eu não sou uma romântica, sou uma
crente . E a culpa não é vossa, é só
minha: eu acredito no amor irrevogavelmente. Eu acredito no Amor pelo que o
Amor é: louco, patético, irracional, racional, apaixonado, completamente
enamorado. O Amor que tem muitas caras, muitas faces: o Amor de pais pelos
filhos e de filhos pelos pais, no Amor de avós e netos, no Amor que os amigos
nos trazem, no Amor entre dois seres apaixonados e sobretudo no Amor de nós por nós. Eu amo-me tanto que
ás vezes não consigo caber de Amor em mim. O Amor tem muitas faces, muitas
voltas, muitas formas de se manifestar. Não há só um Amor, uma forma de
amar. O Amor é louco e é na loucura e na plenitude das coisas que eu
acredito.
E acredito que nem a morte separa o que o Amor juntou.
Porque não se deixa de amar quando quem amamos partiu, e mesmo que a dor da
partida seja insuportável, o Amor que vivemos juntos compensa a dor que a falta
de quem amamos nos traz. É nisto que eu acredito. Porque na vida tudo passa, menos o Amor.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Quanto custa uma democracia?
Leio, perplexa, que o grande perigo de umas eleições
antecipadas é o seu custo. Segundo a Direcção Geral da Administração Interna,
antecipar eleições custa 18 milhões de euros: 10 milhões com despesas gerais da
administração central, onde 4,6 são para os membros das mesas, 3 milhões para
tvs e rádios, e meio milhão para campanhas de apelo ao voto. Os restantes oito
milhões são para subvenção das campanhas, ou seja para os boys e girls poderem andar
pelo país com bandeirinhas, cartazes e slogans. Ora, por muito que eu
ache estes números um exagero, e os boys e girls partidários uma autêntica
praga, o argumento de que as eleições são caras é muito perigoso. Há sempre um
preço a pagar pelos regimes políticos escolhidos, e as democracias não primam
por serem baratas. Por isso, a ideia de que para poupar há que ter uma ditadura,
parece-me o argumento subliminar a estas afirmações de que eleições são caras e
o país não pode. Creio que ter sido isto que Hitler pensou em 1932 quando
chegou ao poder "acabo com as
eleições que a Alemanha está falida. A Segurança Social é insustentável, por
isso tenho de eliminar seis milhões de judeus. Mais uns ciganos e uns padres e voilá,
contas públicas em ordem”! Salazar também só pensou no bem do país quando
em 1933 subiu ao poder e nos anos seguintes poupou em subvenções partidárias
porque teve a ideia genial de um só partido único. E ganhamos um país encafuado
na província, na beatice, no pensamento pequenino e sectário. Fidel Castro
alinha no mesmo pensamento anti despesista. Em 1959 acaba com as eleições em
Cuba com o melhor slogan de todos " Porquê
eleições? O povo quer Castro!". E o povo quer Castro até hoje porque
nunca foi consultado se quer ou não quer Castro.
As ditaduras são mais baratas, porque hipotecam liberdades e
escolhas. Gastam mais em prisões políticas, mas isso ninguém sabe porque a
liberdade de imprensa é coisa que acaba na hora. Quem precisa de saber a verdade que já vimos que é cara e despesista?
A democracia é cara e imperfeita. Mas as ditaduras são
sinónimos de vistas curtas e uma conta a longo prazo altíssima: são gerações
que se perdem. A nossa pergunta deve ser sempre: qual é o custo de uma ditadura?
Estamos preparados para perder a nossa liberdade colectiva e individual em nome
de despesa pública?
As democracias são caras, porque cara é a liberdade de
escolha. E é um sistema imperfeito que tem a enorme vantagem de poder ser
melhorado, não importando os custos para tal. E, por isso, usem-se todos os
argumentos políticos para que não se vá agora para eleições antecipadas. Mas
quando e entram nos argumentos pseudo-económicos só significa uma coisa: que isto da liberdade
incomoda. E muito.
A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as
demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".
Winston Churchill,1947.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Os homens são tão más-línguas....
Ontem, depois de um dia de trabalho exaustivo, consegui
ainda passar um bocadinho pela praia. Fui sozinha, com uma revista de moda, e a
cabeça cheia de preocupações pelo caso Portas / Coelho, não porque esteja
minimamente preocupada com eleições antecipadas, ou se a EDP e o BES perdem
muito na bolsa ou nos "mercados", mas porque enquanto dura a
indecisão o desemprego aumenta, o IVA não diminui e mais fábricas fecham. O que
me preocupa são as pessoas, não são os mercados, nem se estamos com boa ou má
reputação lá fora para nos emprestarem mais dinheiro.
E, alguém me disse (um homem!) que se fossem as mulheres a
mandar isto não acontecia. Bem, eu não tenho a certeza sobre esta afirmação.
Mas nem por acaso, passado um bocado, um grupo de quatro homens e uma rapariga
veio colocar as suas tralhas ao meu lado na praia.
Comecemos pela rapariga: desinteressante, frases feitas,
risos histéricos, muitas fotos e muita vontade agradar. É isto.
Agora vamos aos homens. Falavam de futebol? Não. Falavam de
mulheres? Não. Jogavam futebol ou cartas? Não. Portanto clichés à parte, os
homens ficaram a falar entre si, durante uma hora (com a rapariga a dizer yas,
é isso, e não, não tinha menos de 25 anos) sobre um outro rapaz que tinha ido
com eles o ano passado à feira de Óbidos. E, leitores, era de mau para péssimo
a descrição que faziam do rapaz e tudo entrecruzado com muitos palavrões e
alguns yas da rapariga.
Os homens são más-línguas. Quando começam arrasam, seja o
seu alvo uma mulher ou um homem. E, depois de uma hora de conversa, aquele
rapaz ficou destruído naquele grupo de amigos. Era porque tinha falado assim,
era porque tinha feito assado, era porque respirava e existia.
E então fiquei a pensar: se os homens são más-línguas,
característica outrora atribuída unicamente às mulheres, não serão as mulheres
capazes de serem boas gestoras e boas políticas?
Se os homens que governam a vida pública já fazem birras e
amuos outrora apenas atribuido às mulheres, serão que nós não conseguimos
compreender os meandros da política ao ponto de a dominarmos?
Eu não sei,
confesso, mas depois de toda esta telenoveleira de fraca categoria e da
conversa da praia, dei por mim a pensar que os homens são mesmo, mas mesmo,
umas más-línguas. E neste campeonato não lhes ganhamos. Podemos ter a fama, mas
decididamente não temos o proveito.
"Mais fere a má palavra que espada afiada"
Provérbio popular
terça-feira, 2 de julho de 2013
Prevejo que as previsões acabaram
Ontem foi
embora o Gaspar, no dia 1 de Julho de 2013, ano da graça do Senhor. Daqui a 5
anos já ninguém deve saber quem é o Gaspar, portanto eu escrevo para a
posteridade que era um senhor com uma voz muito chata, ministro das finanças,
que não fora eleito coisíssima nenhuma, como o próprio afirmou. Victor Gaspar é
um técnico com umas técnicas tão chatas que foram tecnicamente impossíveis de
executar e ouvir. Eu, como sou teimosa, comecei a pensar porque é que
nada, de há uns largos anos para cá, dá certo. E a resposta é: porque as
previsões acabaram, ou seja nada se pode prever porque já nada é previsível. Há
quem chame a esta teoria a teoria do caos o que significa que certos resultados
são causados pela acção e a interacção de elementos de forma praticamente
aleatória. E se são aleatórios são imprevisíveis. Era isto que Gaspar queria
dizer quando falou do mau tempo em Portugal: foi um caos tão grande que as
previsões outrora previsíveis foram totalmente imprevistas. Gaspar afinal é um
técnico altamente especializado na teoria do caos.
O mundo
mudou. Se nos anos 80 o futuro era risonho com permanentes assustadoras e níveis
de crescimento tão abundantes como os chumaços que toda a gente usava, o
novo milénio trouxe de volta a triste realidade de que pouco se controla e prevê-se
que assim continue.
Mas eu
prevejo que com estes aumentos de impostos, com sindicatos que não respondem às
inquietações das novas gerações mas propagam sempre a mesma lengalenga, com
estas políticas que têm levado a Alemanha ao enriquecimento e nós ao
empobrecimento, a situação vai que já é má ainda vai piorar. É só uma previsão,
não mais do que isso. Claro, que posso dizer tudo isto de forma mais “científica”,
ou seja que como prevê o Banco de Portugal a " prossecução do ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos
permanecerá como uma importante condicionante da evolução da procura
interna", o que quer dizer que " nós não sabemos o que vai
acontecer porque se vocês comprarem a economia sobe, mas como vos estamos a esfolar
vocês não vão ter dinheiro e a economia desce".
E também
prevejo que Sun Tzu, o homem que escreveu que se sabe quem ganha a guerra sem
lutar, só através da estratégia, deve estar muito zangado com Gaspar. Afinal
Sun Tzu também aconselhava que quem não conhecia as condições
geográficas perdia a guerra. Foi o que faltou a Gaspar: um noticiário meteorológico
sempre actualizado.
Porque eu
prevejo que é preciso sair dos gabinetes e ir á rua comprar leite numa
pequena loja e comparar com os preços de um supermercado, e verificar quem
ficou com a margem de lucro. E eu prevejo que sem um bom choque de realidade,
de entender o terreno europeu onde se pisa, a desgraça continue. Que se percam
todas as batalhas desta guerra. Mas é só uma previsão, que espero que falhe,
como têm falhado todas as outras.
Não é
preciso ter olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter ouvidos afiados
para ouvir o trovão. Para ser vitorioso você precisa ver o que não está
visível.
Sun Tzu
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