segunda-feira, 15 de abril de 2013

O book das grávidas, versão cabaret!

Começo a escrever este texto preparando-me para a enxurrada de críticas que aí vêm. Já estou a ouvir o habitante masculino lá de casa a dizer " mas tu és contra tudo, deixa as pessoas e tal".
Eu até deixava, mas não posso. Há sempre alguém irritante que gosta de dizer o que pensa, e essa pessoa sou eu.
Aqui vai: o book da grávida, versão porno, é incomodativo. Umas fotos da grávida vestida ou com a barriga à mostra, tudo bem. Agora a grávida  com as mamocas de fora, mais o marido em tronco nú, sobre uma cadeira de cabaret... é feio, no mínimo!E temos de ver aquilo com um ar enternecido porque afinal a senhora está grávida e o momento é bonito e tal. Desculpem, é demais, eu não consigo.
Se o fizerem para vosso próprio prazer, nada contra. O problema é quando eu tenho de ver o book. Eu não quero ver ( nem muita gente, acredito) o vosso marido em tronco nú, nem  as mãos dele sobre as vossas maminhas ou outras partes. E nem sequer quero ter de mentir e dizer: " ah, está tão giro", "ai que artistico" ou outras coisas assim.Está ridículo, não quero ver, está bem? Fiquem lá com isso para vocês. E quando colocam as fotos no face? Oh meu deus, eu chego a corar de vergonha pela pessoa.Gente até muito puritana, mostra-me tudo e mais alguma coisa como se fosse normal e "artístico". E os comentários? Bem, nem vamos comentar.
Existem algumas modas tão absurdas que  nem se percebe de onde vieram nem para onde vão. Mas o book da grávida em versão cabaret, é algo que ultrapassa a minha compreensão e eu raramente não entendo alguma coisa.
Mas o book.. isso é que não.

Nota: estas opiniões só me vinculam a mim. Mas gostaria muito de saber se existe alguém que pense como eu. Se formos muitas/os pode ser que a moda desapareça e é um favor que fazemos a todos os casais e a todas a grávidas.No fundo, um dever cívico.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Beverly Hills 90210

Quanto tenho de estudar, adoro qualquer série.E a Beverly Hills 902012 é perfeita. A nova versão é muito boa. Leve, fresca, muito distrativa. Os problemas são imensos e desaparecem em poucos segundos. Num minuto está-se na falência, no seguinte compra-se Dolce e Gabbana. Há um terrível a acidente, mas a recuperação  é rápida  e cheia de peripécias que dão uma boa história. E nisto vai passando o meu tempo e as minhas preocupações.
Amanhã é um novo dia e amanhã vou estudar, com certeza. E trabalhar com mais afinco. Mas agora vai começar o Gossip Girl, outra série de dramas de gente muito gira e muito rica.Os problemas dos ricos são muito melhores que o dos pobres. O guarda-roupa é muito melhor e a maquilhagem também. Os dramas de bastidores são intensos e cheios de traições. Nunca há problemas de dinheiro e se há, eles resolvem-se.
Não há realmente uma trama, mas quem precisa de uma boa história quando tudo o resto é tão bonito?Agora vou ter de parar de escrever. Está a dar no AXN White a série Giras, cuscas e beatas. Gosto mais desta série porque as personagens são mais velhas do que eu e continuam fabulosas. E estão perdidas no deserto, as pobres coitadas. Que vida dura em saltos altos! Ai, a minha vida pode não ser emocionante mas as minhas séries são.
E amanhã estudo, porque agora tenho muita série para ver... Há que ter prioridades. Não concordam?


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Let's go out!

Vou contar um segredo: não gosto de falar sobre o passado!Isto é muito estranho vindo de uma historiadora, mas não gosto de falar sobre o passado como se o tempo que passou fosse melhor que o presente. Não gosto de visitar as escolas onde andei, não gosto de conversas saudosistas, embora goste de rever as pessoas que já não vejo há muito tempo, mas para falar sobre o presente, o futuro e o mais que futuro.
Ontem contaram-me uma história minha que eu não me lembrava. A história situava-me numa noite muito fixe em que eu me tinha divertido muito, mas eu nem sequer me recordo de lá ter estado. E isto é que é grave: se foi tão fixe, porque é que eu não me recordo?
E lembrei-me que é talvez por me ter divertido até demais. Dos meus 18 aos 30 fui uma party girl, com imenso orgulho. Tudo o que era festa estava lá, estive na última noite da Casa do Castelo, em imensas e incontáveis noites no Lux, a Capital e o Indochina foram a minha segunda casa durante alguns anos, e a noite estudantil de Évora não tinha segredos.
E agora parei. Porquê? Porque me canso mais, é um facto. Porque não tenho tanto dinheiro, segunda grande questão. Mas, na última vez que saí com os amigos da minha irmã, óbvio que era a mais divertida e a que tinha sempre o copo  cheio na mão. Portanto, sou mais jovem que muitos jovens. Mas, comparando com algumas amigas mais velhas, sou bem mais "cota". Tenho amigas nos quarenta que não consigo acompanhar,para quem a noite não tem segredos nem horas e as after-hours até ao meio-dia  são apenas um complemento da noite.
Já não aguento, mas alguma vez aguentei? Nem por isso, as nove da manhã sempre foram o meu limite. Onde é que isto vai dar? A lado nenhum. Tenho verdadeira inveja de quem ainda aguenta de saltos
altos até de manhã. Sinto-me orgulhosa quando os miúdos vão para casa e eu ainda fico na noite.
Portanto,o passado glorioso passou. Preciso de de agarrar o presente que a noite já está a chamar  por mim. Preciso de ir sair à noite, de colocar batom e um top giro e de chegar às cinco da manhã sem dores nos pés e queixas nos ouvidos das minhas amigas e amigos.
A idade é apenas uma questão, mas se eu não viver o presente não terei histórias giras para contar no futuro, não é?
Portanto adeus histórias do passado. Preciso de noites divertidas no presente de de pensar positivamente no futuro.
Meninas, amanhã vamos sair?


“I have Social Disease. I have to go out every night. If I stay home one night I start spreading rumours to my dogs.” 



Andy Warhol

domingo, 31 de março de 2013

Não fazer nada..

Esta Páscoa deu-me para não fazer nada. Nem li, nem vi muita televisão, nem escrevi, nem me dediquei à tese desse mestrado cada vez mais longínquo da vontade e cada vez mais próximo da data de entrega. Não me apeteceu fazer nada. E cheguei a domingo e apercebi-me: "Aiii, não fiz nada!Três dias e nada". Claro que  me senti mal e inútil. Estou pouco habituada a não fazer nada e nem gosto de ser preguiçosa. Em casa dos meus pais havia sempre coisas para fazer, nada fazer não era opção.
Mas a verdade é que até me soube bem.Não posso dizer que tive tempo para mim, porque não usei nada em meu proveito. Mas não fiz nada porque não quis, sem dramas e sem mágoas.
Não fazer nada é muito diferente de não ter vontade para nada. Não fazer nada por vontade é uma opção, muito ou pouco respeitável,  que depende de cada um de nós e da nossa perspectiva. Não ter vontade para nada, isso já é grave. Porque existe essa doença chamada depressão, que não se resume a " esquece isso", "não estás boa da cabeça", "vai dar uma volta que isso passa-te", etc...
A depressão, ou  os "problemas de cabeça" como os velhos se referem à doença,não é caso de pouca preocupação, nem de conversas de café ou de conversas entre amigos. É uma doença que precisa de ajuda própria, que não cabe em lugares comuns, que não se resolve com boas intenções nem com reuniões de amigos. Quando a mágoa é grande,fica escondida.
Por isso, enquanto não me apetecer fazer nada e depois me sentir culpada, está tudo bem. Quando não tiver vontade para nada, aí é outra história.Cabe-nos estar atentos e perceber essa grande diferença e saber que, por muito boa vontade que tenhamos de ajudar alguém, a depressão é uma doença que não vai lá com falinhas mansas e boas intenções. A depressão é uma doença que precisa de tratamento médico e ajuda especializada.
Mas hoje o meu caso é de pura preguiça. Ter escrito este texto já é sinal de melhoras!
E, vou aproveitar esta letargia e pensar como Pessoa, esse mestre do hedonismo:

"Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.(...)"


Fernando Pessoa, Liberdade.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Portugal.

Está a chover há uma semana  e estamos todos fartos de chuva. As redes sociais só falam  da chuva e de como era simpático se o sol aparecesse.  Porque o sol tem o hábito de aparecer por cá, neste país de que estamos sempre a dizer mal e a comparar com os  países "civilizados": Alemanha, Suécia, Finlândia,  esses "outros" onde todos gostávamos de viver porque são "maravilhosos", porque "lá" tudo funciona não é como "cá".
E, de facto, este país caminha a passos largos para o abismo, um abismo tão profundo que quando de lá sairmos vamos ser tão poucos que nem sei se ainda  existe e se é o mesmo país outrora chamado de Portucale.
Mas quando chove, todos  os portugueses esperam e desesperam pelo sol, e poucos se lembram de que nesses países "civilizados" o tempo é de uma tristeza infinita e que a vida tem um ritmo soturno, com hábitos de vida interiores, onde a chuva é constante e o sol um bem tão raro que quando aparece é festejado como  se de uma divindade se tratasse.
Pode não ser muito, mas ter este tempo é uma benção que só damos conta quando não pára de chover, quando os nossos hábitos se alteram, quando vivemos "à Sueco", "à Alemão" ou "à Finlandês".
E lembro-me sempre da minha história quando depois de ter perdido um voo na Finlândia de regresso a Portugal, e de ter sentido na pele as saudades de tudo o que é caos, trânsito e comentários típicos portugueses, e mesmo assim  refilar porque em Portugal nada funcionava, um português me disse: "o que é triste é que nós podemos ter tudo o que eles têm e eles nunca terão o tempo que nós temos."
E tão verdade que doí. Doí não termos os políticos que nos levam à prosperidade, doí-nos esta subserviência moral aos países "civilizados", doí-nos e destrói-e-nos este tão pouco quando podíamos ser tão mais. Porque nós podemos ter tudo, eles nunca terão um clima ameno, um sol que nos banha a costa e o nosso café.
Por isso, e até ser obrigada a partir para os tais  países civilizados, digo como Dino Meira, que vale mais um mês aqui que um ano inteiro lá. E acrescento que vale mais a vida aqui, que a prosperidade  toda de lá.











quinta-feira, 21 de março de 2013

O que é que eu visto em Abril?


Detesto o mês de Abril por uma razão muito prática: nunca sei o que hei-de vestir. Começa a ficar um tempo mais agradável, mas ainda não se pode usar alças. As camisolas até podem saber bem, mas já nem conseguimos olhar para elas. A roupa de inverno é mais escura e apetece-nos usar coisas mais claras. As botas já  começam a ficar quentes nos pés e ainda está muito frio para sandálias.
O sol brilha diretamente na minha cara branca e com olheiras. Se puser muita base já se nota, se sair assim para a rua sou a prima direita do fantasminha.
As lojas apresentam a nova coleção, a minha carteira apresenta-me revolta e ingratidão.  Reciclar já deu, não vai dar mais. O casaco preto já é cinzento, o branco já é creme.
Ainda não consigo me enfiar no 38 (pois é, não desisti da dieta), o 38 ri-se da perspectiva de colocar um biquíni  Há poucas coisas que me dão pesadelos, suores frios e angústia,  mas usar um biquíni é uma delas.
O mundo fica mais bonito, mas eu fico mais feia.
Odeio Abril, odeio-me em Abril. Podemos passar já para Agosto onde ficamos todos morenos, saudáveis e aparentemente felizes?
Creio que não, por isso vou dedicar um poema a Abril, na esperança que me ouça e me dê coisas boas, que de más já basta o Gaspar.

Abril.

Abril  de mágoas mil
Não tragas águas,
Não sejas viril.

Abril abençoado
Traz-me festas,
Já chega de fado.

Abril do meu coração,
Traz-me vestidos
E um novo roupão.

Abril endiabrado,
Traz-me dinheiro
E um namorado!

E é tudo por hoje! Beijinhos.










domingo, 17 de março de 2013

Precisamos de falar sobre o Kevin.

Vi um filme que não me sai da cabeça," We need to talk about Kevin". Tradução portuguesa à letra: "Precisamos de falar sobre o Kevin". Não é minha intenção avaliar o filme nem o desempenho dos actores, que é extraordinário. O que eu pretendo é que todos nós debatemos este tema polémico: a possibilidade de os nossos filhos serem absolutamente horríveis e nós nos apercebermos e nada podermos fazer.
Quando se fala de parentalidade e de filhos, o discurso é sempre o mesmo: que é a melhor coisa do mundo, que ser mãe ou pai é uma felicidade sem fim, que as noites sem dormir valem a pena porque o sorriso dos filhos compensa tudo. Muito bem, discurso absorvido. Agora vamos falar sem máscaras e sem tabus.
E se não gostarmos dos nossos filhos? E se só tivemos filhos porque o marido ou a mulher quis? E se os nossos filhos nos odiarem? E se um deles violar o outro? E se houver incesto? E se o nosso filho for um violador? Um assassino? E se os nossos filhos forem mesmo uns monstros?
Será que podemos falar sobre isto sem tabus, nem frases feitas e sem apregoar a imensa felicidade que esta nossa sociedade nos impõe e nos esmaga?
O que fazer quando o nosso filho viola a vizinha? Continuamos a gostar dele da mesma maneira?
O que fazer quando o nosso filho é alguém que adora maltratar os outros? A quem recorremos para falar?
O que fazer quando o nosso filho mata alguém? Perdoamos ou viramos as costas?
E se eu não gostar do meu filho?
Gostava de uma conversa franca com alguém sobre estas questões e eu nem sequer sou mãe. Mas sempre me afligiram as verdades escondidas, sempre vi mães que preferem claramente um filho em detrimento de outro, sempre me apercebi de pais que têm dúvidas mas não têm ninguém com quem falar.
Tenho receio de não gostar de um filho meu. Isso faz de mim uma má pessoa ou uma pessoa consciente?
A nossa mania da felicidade está a deixar-me muito inquieta e infeliz. E percebo o medo de alguém que tem um filho que não é nada boa pessoa: com quem vai falar que não o condene pela educação, ou que diga que é só uma fase, ou que não lhe espete que os filhos precisam é de carinho e amor? Ninguém, não vai falar com ninguém.
A cultura da felicidade condena-nos ao isolamento e à artificialidade. Falar dos filhos sem ser com imensurável orgulho e felicidade está a calar-nos e a tornar tabu coisas de que deveríamos todos falar.
E no meio de tudo isto ninguém fala sobre o Kevin. E nós, como sociedade precisamos de começar a falar sobre o Kevin. Antes que seja tarde demais.