terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Afastem-se de mim, estou de dieta!

Resolução de 2013: ser mais cínica e não tão honesta. Resultado final:  falhanço completo. 2ª resolução de 2013: fazer dieta. Aqui é que é pior. Estou mesmo disposta a cumprir esta promessa(a outra confesso que nunca estive, mas gosto de pensar que posso ser mais doce algum dia), este  desejo profundo de ser um mini mini Irina cá do Burgo. Sonhar não custa, fazer dieta é que é pior.
Já eliminei todos os hidratos de cardono, a minha casa é um festim de frutas, legumes e massas integrais. Não passo pelos cafés para não me tentar, não vou jantar fora para não ter de pedir peixe grelhado com legumes e pagar balúrdios por algo que até em casa odeio.
Portanto é assim: estou de dieta. Se já vi resultados sim senhor: passados 4 dias perdi 2 cm na cintura. Há quem se pese, eu meço-me.Assim, só para ser diferente.Portanto está a resultar!
O meu cérebro é que não ajuda. Pensa que há tantas crianças com fome em África e eu com três fatias de bolo de chocolate no congelador. Pensa que há famílias a passar mal em Portugal e eu com doces de leite e mousses de chocolate congelados à espera de melhores dias. O meu cérebro diz-me que devo respeitar as minhas vontades e atacar todos os doces por respeito pela humanidade. Não há nada mais respeitoso do que respeitar a humanidade prestigiando-a a comer doces sem pensar no amanhã! Ah, quanto eu amo essa humanidade. 
O meu corpo diz-me que está a gostar da dieta, que se sente um bocadinho mais leve,  "força, continua" diz-me ele a toda a hora!
Portanto, que devo fazer? Nem o Profeta tinha estas interrogações tão dramáticas, aposto que no tempo dele não havia classe média nem excesso de peso!...Assim é fácil pregar, assim magro também eu!
Bem, vou continuar com a dieta. Vou odiar toda a gente que não lhe custa nada emagrecer ou outras que nem engordam. Vou criticar ferozmente Irinas e Schiffer e Banks deste mundo e do outro.Oh, preparem-se. Não haverá nem mais um episódio do America's Next Top Model visto sem um ataque feroz de ódio e desespero. Nem mais uma Gabriela sem ataque redobrado de puro ódio a todas as actrizes. Nem mais uma série... bem, já perceberam não é?Odeio gente magra!E gira! E...Pronto, vou parar. Mas fica aqui o Aviso.

Aviso:. Os próximos meses não serão faceis e a culpa será toda de gente alheia. Gente magra e elegante, afastem-se de mim!

domingo, 6 de janeiro de 2013

A felicidade não deveria fazer parte do orçamento do Estado?


O que é a felicidade? Esta pergunta tem-me atormentado nos últimos dias, o que não é sinónimo de coisa muito feliz. Estou verdadeiramente preocupada com a felicidade, o que é muito diferente de ser feliz. Ser feliz é uma série de bajulações pensadas para preencher a nossa vida: para ser feliz preciso de dinheiro, saúde, casa e outras coisas que tal. Ser feliz é ser quantitativo: toda a gente sabe o que precisa para ser feliz ou pensa que sabe.
Mas a felicidade é outra coisa. Felicidade é um conceito global, em que precisamos de um grupo que o partilhe para existir. A felicidade é colectiva e partilhada;  ser feliz é único e individualista.
Há pessoas que para serem felizes não precisam que os outros o sejam. Existem até pessoas que preferem que os outros não o sejam. Assim, provam a sua superioridade, a sua magnificência, a sua " competitividade".Todos nós conhecemos algumas destas pessoas, não é?
Mas a grande maioria da humanidade é tanto mais feliz quanto os outros sejam felizes. Chama-se partilha, bom coração, essas coisas que o PIB não quantifica. Porque o PIB não é mais do que isto: a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado. Ou seja, o  Produto Interno Bruto.PIB.
Então onde fica a cultura, o meio ambiente, ou a boa governação? O PIB garante um desenvolvimento social e económico igualitário? Se olharmos atentamente para Portugal em 2013, e ainda estamos só em dia 6, a resposta é... Não! O PIB mede-se sem olhar se os pobres recebem menos, sem olhar a cortes cegos, sem medir a tristeza e o desespero  que já chegou a muitas famílias e indivíduos neste pais. O PIB só mede e portanto se existirem mais ricos que pobres (não importa como) o PIB de um país é mais rico. E como esses pobres vivem é problema deles, o PIB não quer saber. E então está tudo bem! Só que não está tudo bem, pois não?
Um país devia medir-se, para além da troca de bens e serviços, pela promoção de um desenvolvimento socio-económico sustentável e igualitário,preservação e promoção dos valores culturais,conservação do meio ambiente natural e Estabelecimento de uma boa governança. E a estes quatro valores chamamos FIB: Felicidade Interna Bruta. Aplicada no Butão, que erradicou o PIB e introduziu o FIB, este país demonstra que é o conjunto destas coisas que importa, mais que números finais.Resultado: este é o país mais feliz do mundo, com níveis de bem- estar elevados. Não têm tantos bens como nós, é certo, mas são mais felizes.Porque confiam nos políticos, porque reconhecem a sua cultura, porque estão em comunhão com a natureza. E afinal o que importa ter mais tvs, mais coisas e não ser feliz?  Não sabemos como vamos continuar a consumir e por isso ficamos mais tristes? E ficamos mais felizes quando temos mais que o vizinho e por isso temos medo dele e nos fechamos em condomínios privados, com piscinas e seguranças? É este o mundo onde queremos viver?
Está na altura de alguém apresentar ao Gaspar o FIB. E aposto se este o aplicar vamos ter um país mais feliz e, quem sabe, o PIB aumenta. Tal como no Butão.
Então, estamos preparados para a Felicidade?



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Gentinha chata!

O facebook é um perigo! Tem coisas boa claro: coscuvilhar é mais fácil, rápido e relativamente discreto. Eu gosto disso, naturalmente!Mas depois tem outra coisa má: ficamos a conhecer melhor as pessoas. É isso mesmo que leram: ficamos a conhecer melhor as pessoas. E algumas, era bem melhor termos ficado pelo Bom Dia, Boa tarde, e Como Vai?. A verdade é que a maioria das pessoas é chata. Coloca fotos da treta, frases de um website qulquer esotérico, receitas e outras coisas chatas. Muito chatas. É verdade que este é um país livre e, portanto, cada um coloca o que quer. Mas não deixo de pensar que tudo isto de se ser livre e democrata nas redes sociais está cheio de perigos: aquela rapariga até era simpática, até eu ler as suas opiniões políticas. Aquele rapaz até era interessante até eu ver mil e uma fotos parvas com a namorada e frases de amor chatas..e conselhos de algibeira. Por favor, até a Júlia Pinheiro faz melhor.
Não me interpretem mal, eu adoro as redes sociais: sou amiga de tudo quanto é personalidade, de Ronaldo a Messi, Kate no meio e outras que tal.O problema são os outros. E tal como dizia Sartre, mesmo sem existir facebook no seu tempo " O inferno são os outros".Imagine-se o que diria Sartre  dos tempos de agora no seu blog, na sua página pessoal, no seu twitter. Como é que um filósofo radical veria estes novos tempos?Bem, tenho muita pena que não viva nesta época: eu seria sua amiga no face!
Sim, eu jurei que em 2013 ia ser mais cínica e menos honesta. Mas malta do face, vocês até podiam ajudar não era? É que assim é complicado!!!
Reformulação de ano novo: desejo que o ano 2013 traga pessoas muito interessantes à minha vida. Ideias novas e gente boa. E que não me desiludam no facebook.
Porque o facebook não é um retrato da vida. Não, é muito mais do que isso!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ser Português!

Acabei de regressar de Sevilha onde fui de Copas e de Tapas.
"Tudo bien chico, que Sevilha tiene um color especial". E no meio de Sevilha, comecei a pensar no que para mim é ser Português.De facto, a grande maioria dos portugueses irritam-me: deprimidos, sempre com frio ou sono, com programas preferidos como a Casa dos Segredos ( já agora, quem ganhou?) e pouca cultura em geral, os Portugueses ainda não são o povo que Fernando pessoa desejou: Senhor, falta cumprir-se Portugal.
Mas, no meio de tanta desanimação, as saudades da calçada portuguesa ( é linda, caramba é linda!), do galão, do pão, do pastel de nata, das refeições (almoço, lanche e jantar) bateram à porta. E, mesmo com a crise  que aí vem, com todos os medos válidos e receios que nos esperam, nem a Espanha, nem a França  nem o resto da Europa têm o nosso mar, o nosso Fado, as nossas mil cores.. É claro que posso emigrar: já sinto que falta pouco, que o país não me vai dar outra alternativa. E se isso acontecer, terei de levar dentro de mim toda a Portugalidade, aquela que se expressa nos poemas assim: 


Tardes da minha terra, doce encanto, 
Tardes duma pureza de açucenas, 
Tardes de sonho, as tardes de novenas, 
Tardes de Portugal, as tardes de Anto, 

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto! 
Horas benditas, leves como penas, 
Horas de fumo e cinza, horas serenas, 
Minhas horas de dor em que eu sou santo! 

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas, 
Que poisam sobre duas violetas, 
Asas leves cansadas de voar ... 

E a minha boca tem uns beijos mudos ... 
E as minhas mãos, uns pálidos veludos, 
Traçam gestos de sonho pelo ar ..


Florbela Espanca, Livro das Mágoas.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

2013!

2012 está a fechar o ciclo, não acabou o mundo e muitas coisas se passaram.Uns gostaram, outros odiaram, porque neste tempo do EU o que nós passamos é o que importa, o dos outros posso eu bem.2012 trouxe uma crise profunda, não de valores mas de dinheiro. 2012 trouxe guerra na Síria e milhões de inocentes massacrados. 2012 trouxe de volta os meninos com fome a Portugal. 2012 trouxe a emigração dos mais qualificados para o exterior. 2012 trouxe pouca festa e pouca solidariedade. Mas mesmo assim 2012 trouxe mais um ano de vida. E eu, porque este é um tempo de EU, adoro Viver!. Adoro refilar, adoro queixar-me, adoro Rir, adoro ver filmes, adoro ver o mar, adoro os meus... Adoro viver! E tenho de adorar porque nunca experimentei fome na vida. Nem guerra.Nem terríveis desilusões.Nem morte dos meus mais chegados. Tudo o que a vida me trouxe eu pude suportar, bem ou mal, assim ou assado.
Por isso anseio por 2013. Porque a noite de passagem de ano nunca foi para mim uma noite qualquer: é a noite dos sonhos renovados, dos desejos mais uma vez formulados, de novas esperanças. É um recomeço e como todos os recomeços deve estar embrulhado em lentejoulas e brilhantinas. E champanhe. E beijos. E esperança!!
Portanto, Feliz 2013!Vamos viver a Vida!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

As mulheres são queixinhas!

Há uma coisa que eu concordo com o sexo masculino: as mulheres são queixinhas. Sim, é verdade: as mulheres são queixinhas.Queixam-se dos maridos, provavelmente com razão. Mas nem é dessas queixinhas que eu vou falar hoje: são das queixinhas, queixinhas. De que está frio, quero ir para casa. Que estou cansada, quero ir embora.Tenho tanto stress no trabalho, não aguento. Hoje levei com chuva, estou a ficar doente. Estou triste, ando assim meia triste. Blá blá blá.
A sério, eu já não vos aguento! É porque está frio, é porque está calor, é porque nunca saímos é porque saímos. Se é para queixar, é para ser a sério: é porque não tenho o emprego que mereço à altura da minha fabulosidade! É porque não és tão bom na cama como estava à espera! Estou furiosa porque não tenho uma mala Channel! Está frio, e eu não tenho luvas de caxemira Gucci. Está calor e não tenho um fato de banho La Perla. Isto sim são queixas.  As mulheres que se queixam por tudo e por nada raramente São. Ser é demasiado difícil e exige tempo e carácter.  Coisas raras neste mundo: o carácter, não o tempo.O Óscar tem sempre razão: a maioria das pessoas apenas existe. E o problema da existência dos outros é que nós, os bons, coexistimos com estas existências. E estas existências nada mais são que queixinhas: porque a maioria das pessoas não sabe mesmo falar de mais nada. E fazemos todos esta conversa de treta para não magoar os que apenas existem. Mas como estou a ficar farta e a crise tem  coisas boas vou passar a responder: está frio, veste um casaco. Está calor, vai para a praia. Se estás aborrecida, não me aborreças. O teu marido é um chato, problema teu!  
A arte de queixar é uma arte. A arte de Ser ainda mais. Queixar porque não se Ser ,então é enfadonho. Eu sei que muitas leitoras não perceberam esta última parte:  não leia mais, este blogue é demasiado para si! Olhe, queixe-se!


É Natal, dá-me as minhas prendas!

Não gosto muito do Natal, nunca gostei. Aborrece-me profundamente os dias anteriores sem fazer nada, tudo fechado. Não tenho terra aonde me deslocar e, honestamente, esse fascínio do citadino que vai ao campo no Natal é demasiado ridículo para mim. Se eu fosse da terrasabia bem como receber os convidados.Oh, se sabia!
A única coisa que eu gosto do Natal é das minhas prendas.Sim, podem dar-me muitas e muitas coisas. Não se inibam, nem se acanhem.. E é tudo. Solidariedadezinha uma vez por ano não nos fica bem,  e a Popota irrita-me profundamente. Rinocerontes sexy para miudos é uma depravação. Além de que a rinoceronta é feia, para lá de feia. Cada vez que vejo o anúncio apetece-me ir reclamar ao Continente.Ok, vou fazer isso.
Odeio a frase o Natal é quando um homem quiser... E então e o Ano Novo e o meu bem amado Carnaval?? Nem pensar. Mil dias de Carnaval, um de Natal E o meu sonho é ir ao Rio de Janeiro sambar, não salvar o  Natal! Grinch devia ter sido bem sucedido!! E afastem de mim o aniversário do menino Jesus. Até  o Papa  já confirmou que o menino nasceu sete anos antes, em Agosto!
Por isso animem-me. Partilhem o vosso espírito natalício comigo enviando-me muitas prendinhas. Afastem de mim as frases feitas e a loucura das saudades que só apertam no Natal. Se me querem ver, sabem a minha morada, façam favor .  Ate lá, deixem o Natal para outros. Poupem nas saudades, nos abraços e nos postais. Não poupem no cartão de crédito e nas entregas em minha casa.
Se assim fizerem, desejo a todos um Feliz Natal!